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O surpreendente fenômeno da respiração - Parte IV

Gilberto Coutinho 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Mente tranquila e centrada: respiração tranquila e regular

por Gilberto Coutinho

Já escrevi três textos sobre o fenômeno da respiração - clique aqui e leia. Devido à importância do assunto, acabei me estendendo e será então um série de seis artigos. Vamos então ao quarto.

Músculos responsáveis pela inspiração e expiração

Os pulmões podem se expandir e retrair devido a dois fatores:

(1) pelo movimento do diafragma (principal músculo da inspiração) para baixo, durante a inspiração, e para cima, na expiração, aumentando ou diminuindo a altura dos pulmões, da cavidade e caixa torácica;

(2) pela elevação das costelas durante a inspiração e seu abaixamento na expiração, o que contribui para aumentar ou diminuir o diâmetro dos pulmões, da cavidade e caixa torácica.

Origem do músculo diafragma

O diafragma, músculo ímpar e achatado com a forma de uma abóbada alongada transversalmente, cuja convexidade encontra-se voltada para cima, separa a cavidade torácica da cavidade abdominal; é inervado pelo nervo frênico. No centro da abóbada, existe uma depressão sobre a qual repousa o coração.

Apresenta sua origem em três porções:

(1) esternal (face interna do processo xifoide);

(2) costal (superfícies internas das seis cartilagens costais inferiores e das seis costelas inferiores de cada lado);

(3) lombar (entre a 1ª e a 4ª vértebra lombar).

Músculos da inspiração

Músculos que elevam a caixa torácica:

(1) os intercostais externos (um dos mais importantes, quando se contraem, puxam as costelas superiores para a frente em relação às costelas inferiores, efeito de alavanca sobre as costelas, o que ocasiona sua elevação, promovendo a inspiração);

(2) os esternocleidomastoideos (elevam o esterno, osso alongado e chato, localizado na parede mediana e anterior do tórax);

(3) os serráteis anteriores (elevam muitas das costelas);

(4) os escalenos (elevam as duas primeiras costelas).

Músculos da expiração

Músculos que tracionam a caixa torácica para baixo:

(1) os retos abdominais (tracionam as costelas para baixo e, em ação conjunta com os músculos abdominais, comprimem os órgãos abdominais para cima, contra o diafragma;

(2) os intercostais internos (funcionam de modo oposto aos intercostais externos). A respiração tranqüila e normal é mantida quase que completamente pelo movimento do diafragma.

Absorção do oxigênio durante o exercício

Durante uma atividade física intensa, o consumo de oxigênio e a formação de dióxido de carbono podem aumentar até 20 vezes acima do valor normal; a difusão do oxigênio aumenta quase três vezes durante a atividade física.

Transporte do oxigênio pelas hemoglobinas

Em condições fisiológicas normais, cerca de 97% do oxigênio transportado dos pulmões pelo sangue aos tecidos encontram-se quimicamente combinados com a hemoglobina (proteína que contém ferro, veículo do oxigênio no sangue) contida nos glóbulos vermelhos (eritrócitos), enquanto os 3% restantes são transportados pela parte líquida do sangue ou plasma (que contém entre 77 a 81% de água.

Mediadores químicos e dilatação da árvore brônquica

Devido ao pequeno número de fibras que irrigam os pulmões, o controle dos bronquíolos por intermédio de fibras nervosas simpáticas é relativamente fraco. No entanto, a árvore brônquica é sensível a mediadores químicos, tais como noradrenalina (com ação vasoconstritora mais potente que a adrenalina) e adrenalina (substância hipertensiva, vasoconstritora e reguladora da musculatura lisa) circulantes, liberadas no sangue por estimulação simpática da medula suprarrenal. Esses dois hormônios, principalmente a adrenalina, causam dilatação da árvore brônquica.

Atividade muscular versus centro respiratório

A atividade muscular estimula o tronco cerebral, o que ativa o centro respiratório. A diminuição da concentração de oxigênio (hipoxia) nos músculos durante a atividade física desencadeia sinais nervosos para o centro respiratório, objetivando estimular o aumento da frequência e intensidade respiratórias. Os movimentos corporais, principalmente aqueles que envolvem os membros inferiores e superiores, também contribuem para aumentar a ventilação pulmonar ao excitarem os receptores sensíveis (proprioceptores) localizados nas proximidades dos ossos, nas articulações e nos músculos; esses transmitem impulsos nervosos excitatórios ao centro respiratório, visando a aumentar a intensidade e a frequência da respiração.

Os yogues adquirem um enorme controle respiratório mediante a prática repetitiva e regular de exercícios respiratórios (pránáyámas), ásanas e meditação; práticas que envolvem uma apurada e dedicada disciplina física e mental. Novas sinapses ou conexões neurais se formam no cérebro, pela intervenção de mediadores químicos, como acetilcolina e noradrenalina, a partir da prática repetitiva de pránáyámas, ásanas, e de outras técnicas yogues.

O controle da ventilação pulmonar durante tais práticas estimula o cérebro a tornar-se gradativamente mais apto a emitir uma quantidade adequada de sinais necessários para preservar os níveis normais de fatores químicos no sangue. No encéfalo, os centros superiores de aprendizagem têm-se demonstrado também relevantes no controle da respiração.

Movimento passivo e aumento da ventilação pulmonar

Até mesmo movimentos passivos dos membros, mediante o alongamento de cadeias musculares ligadas à caixa torácica e da compressão dos órgãos abdominais pela flexão do membro inferior sobre a região, contribuem para aumentar, na maioria das vezes, a ventilação pulmonar.

Respiração, metabolismo celular e produção de ATP

O metabolismo e a respiração celular envolvem reações químicas que quebram as moléculas de nutrientes, como a glicose, liberando energia, gás carbônico e água, mediante a participação indispensável do oxigênio. O metabolismo também produz trifosfato de adenosina (ATP), molécula ou composto orgânico rico em energia (nucleotídeo), fornece energia a todas as células. Quando o trifosfato de adenosina é utilizado pelas células para fornecer energia, ele se converte em adenosina difosfato (ADP). A concentração crescente de ADP aumenta a utilização metabólica do oxigênio e dos vários nutrientes que se combinam com ele para liberar energia. Essa energia é utilizada para nova síntese de ATP. A velocidade de utilização do oxigênio pelas células é controlada pela velocidade do consumo energético nas células, pela velocidade de formação de ADP a partir do ATP.

O excesso de dióxido de carbono ou de íons de hidrogênio estimula o centro respiratório, determinando aumento acentuado da força dos sinais inspiratórios e expiratórios para os músculos que controlam a respiração. Receptores químicos especiais, localizados em diversas áreas fora do cérebro, são especialmente importantes para detectar mudanças nas concentrações de oxigênio no sangue, embora também respondam a alterações nas concentrações de dióxido de carbono e de íons de hidrogênio. Os quimiorreceptores transmitem sinais para o centro respiratório para ajudar a regular a atividade respiratória.

Adaptação do centro respiratório em elevadas altitudes

Até mesmo alpinistas experientes podem ter dificuldades de alcançar, em um único dia, altitudes de 5.500 a 6.100 m, devido à rarefação do oxigênio. Com altitude de 8.848 m, o Monte Everest, tido como a região mais elevada do Himalaia, situa-se na Ásia, entre a Índia e a China, tem sido escalado até o seu pico sem qualquer suplementação de oxigênio. No entanto, a ascensão deve ser realizada em etapas muito lentas, de modo a se conseguir completa adaptação do impulso respiratório em regiões com baixa pressão de oxigênio. Localizado no segmento inferior do tronco cerebral, o centro respiratório leva de 2 a 3 dias para se adaptar à baixa concentração de oxigênio atmosférico.

Influência da mente sobre a respiração

Para o Yoga, a respiração não é apenas influenciada pelas necessidades do metabolismo energético das células, mas também pela atividade da mente. Para essa importante escola de pensamento ou filosófica (Dhárshana) da antiga Índia, a respiração encontra-se intimamente relacionada com a mente, influenciada pelo prana, pela atividade psíquica e pelo estado emocional. Se a mente se encontra tranquila e centrada, a respiração também se torna tranquila e regular, e as emoções são abrandadas. O contrário faz com que a respiração se altere, tornando-se rápida, curta, irregular e, às vezes, ofegante. A respiração lenta, profunda e rítmica ajuda acalmar a mente, favorecendo a concentração, o relaxamento e a meditação.

A respiração pode ser conscientemente controlada. Possivelmente, os yogues da antiga Índia tenham sido os primeiros a evidenciar tal íntima relação, a demonstrar um impressionante controle psicofisiológico, através de suas técnicas físicas e mentais e de seus surpreendentes tratados escritos em sânscrito. Uma pessoa, de modo consciente, pode aumentar ou diminuir a ventilação pulmonar e, dessa forma, alterar a pressão de O2 e CO2 no sangue e seu pH.

Sistema nervoso simpático e parassimpático

Numa situação de estresse, o sistema nervoso simpático torna-se predominante. Durante o repouso, o sono, o relaxamento, a concentração, a oração, a prática de posições psicofísicas (ásanas), de exercícios respiratórios (pránáyámas) e de meditação yogue (dhyana), o sistema nervoso parassimpático passa a controlar as funções fisiológicas como a respiração, a digestão e a frequência cardíaca. O sistema nervoso simpático tem a função de proteger o organismo contra um suposto perigo. No entanto, o sistema parassimpático é destinado ao reparo, à manutenção e à restauração do corpo.




Gilberto Coutinho

É Naturopata e Acupunturista com formação em "Medicina Tradicional Indiana (Ayurveda)", em "Yogaterapia" pela "World University Roundtable" - Arizona, USA, em "Massoterapia Indiana Ayurveda", em "Medicina Tradicional Chinesa e Acupuntura" (Membro da "Associação de Medicina Chinesa e Acupuntura do Brasil" - SP, em "Massoterapia Chinesa'.



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