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É um mito achar que o idoso não se interessa por novas tecnologias

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Mas é preciso driblar a falta de confiança, o medo e a ansiedade

por Elisandra Vilella G. Sé

A tecnologia proporciona facilidade e comodidade traduzidas até numa melhor qualidade de vida. Mas exige habilidade intelectual para utilizar seus recursos.

A tecnologia de informação (TI) não pode ser ignorada. Muitos dependem dos sistemas automáticos e informatizados seja no trabalho ou na vida pessoal. Mas a forma como a tecnologia interfere na vida de cada pessoa, seja jovem ou idosa, depende de como essa encara o uso dessas ferramentas.

Para os idosos, os avanços tecnológicos com sua inevitável dependência trouxeram impactos importantes. O acesso à informática e à internet, por exemplo, facilitou o processo de comunicação. Assim, o idoso reduziu seu isolamento e aprimorou suas relações interpessoais através do contato com parentes e amigos em um ambiente de troca de ideias e informações.

A tecnologia possibilita ao idoso tornar-se um aprendiz virtual. Através de uma educação continuada, ele estimula sua mente e adquire o consequente bem-estar de se aprender algo novo.

Para o público da terceira idade isso é um desafio intelectual. Ao aprender coisas novas tornam-se mais independentes.  

Para dominar essa tecnologia de informação, faz-se necessário ultrapassar algumas barreiras: a falta de confiança, o medo e a ansiedade.

Muitos ainda têm dificuldades com relação à manipulação de eletrônicos e computadores. Problemas de ordem técnica como ligar e desligar, o tamanho da tela, das letras, manusear o mouse, coordenar as ações visuais e motoras simultaneamente, entre outras.

Na velhice o declínio das habilidades cognitivas pode se apresentar em alguns de maneira mais comprometida, tais como dificuldades sensoriais, de praxia (coordenação motora), funções executivas (capacidade de planejar e realizar uma ação).

Mas se forem acompanhados por um profissional qualificado, que dê atenção e passe confiança, eles têm capacidade de aprender a lidar com essas novas tecnologias.

Além disso, pesquisa realizada por *Azar concluiu que os idosos não estão menos interessados que os jovens em usar novas tecnologias. Os resultados demonstraram que em um grupo de pessoas com idade entre 58 e 91 anos, a maior barreira para o uso de computadores era a falta de treinamento. Uma vez em que os idosos adquirem conhecimento e proficiência no uso de ferramentas tecnológicas, eles podem usá-las tão bem quanto os jovens, só que levam mais tempo.

A inovação de uma forma ou de outra causa estranhamento e faz com que muitos consumidores sejam resistentes a ela. Essas resistências ao uso das tecnologias são bastante relevantes quando se separam aqueles que aceitam e os que as rejeitam. As pessoas que as aceitam têm mais facilidade de interagir com elas do que aquelas que as rejeitam. Ao lado desses fatores, a renda, ensino e ocupação também influenciam de alguma forma na aceitação e no uso dessas tecnologias.

Novas tecnologias na vida do idoso: facilidades e dificuldades

- Uso da internet facilitou processo de comunicação do idoso;

- Uso da internet reduziu seu isolamento e aprimorou suas relações interpessoais;

- Novas tecnologias possibilitam ao idoso tornar-se um aprendiz virtual;

- Desafio intelectual: ao aprender coisas novas tornam-se mais independentes.

- Dificuldades em relação à manipulação de eletrônicos e computadores: ligar e desligar, o tamanho da tela, das letras, manusear o mouse, coordenar as ações visuais e motoras simultaneamente;

- Declínio das habilidades cognitivas: dificuldades sensoriais, coordenação motora, capacidade de planejar e realizar uma ação;

- Pode levar mais tempo que o jovem para dominar essas ferramentas.

* AZAR, B. Older workers need not be left behind by technology. APA Online. Vol.29, n.7, July, 1998.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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