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Depois que minha mãe se separou do meu pai, passou a viver a minha vida. O que faço?

Blenda de Oliveira 01/01/2016 PSICOLOGIA
Tornar-se uma mulher adulta e libertar-se da mãe pode gerar dúvida

por Blenda de Oliveira

"Estou vivendo um grande dilema, minha mãe sempre foi extremamente apegada a mim e sempre muito possessiva a ponto de não permitir que eu tenha minha própria vida! É como se ela quisesse viver a minha vida. Ela se separou do meu pai, desde então... não quis ficar com mais ninguém, embora sempre tenha recebido meu apoio e de minha irmã, que sempre torcemos para que ela encontrasse outra pessoa. Infelizmente, isso não aconteceu. Eu tenho trinta anos e comecei a namorar, mas até hoje ela se mete nos meus relacionamentos; sempre encontra os piores defeitos e me inferniza até conseguir fazer com que eu termine com quem estou saindo"

Resposta: Bom, acho que chegou o momento de separar-se de sua mãe e aqui me refiro a uma separação emocional, a mais difícil.

Terá que dizer não à interferência de sua mãe e, ao mesmo tempo, mostrar que sua decisão diz respeito a você. Embora ela sinta sua independência como algo contra ela e reviva, nessa situação, sentimentos de abandono, rejeição e solidão que, com certeza, foram construídos através da história de vida dela.

Dilema da mãe

O dilema parece seu, mas é dela e, evidentemente, a dinâmica construída na relação entre mãe e filha nos faz pensar que há uma espécie de acordo silencioso em que você passa a ser responsável pela vida e "morte" de sua mãe. O grande dilema de sua mãe é: sou amada ou não sou amada - aliás o maior dilema de todos nós - e para ela não ter que se enfrentar, promove em você, de maneira inconsciente, culpas, responsabilidades e a obrigação de salvá-la da própria solidão.

Qualquer tentativa em ser diferente ou fazer algo com sua assinatura dentro dessa dinâmica, torna-se uma permanente ameaça ao fracasso. Cabe a você mudar a direção do acordo! Está na hora de decretar a falência desse modelo.

Sua mãe dificilmente ultrapassará esse estado de coisas sozinha. Quem sabe você pode ajudá-la a procurar ajuda psicoterapêutica. Você está pagando um pedágio alto para atravessar sua vida e sendo todo o tempo retirada de seu legítimo lugar de mulher adulta. Coragem, fôlego para empreender a mudança e prepara-se para enfrentar momentos que sentirá dúvida, pena, medo e culpa. Tudo isso faz parte da boa separação que terá de empreender. Confie que sobreviverão! Boa sorte!

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Blenda de Oliveira

Doutora em psicologia clínica pela PUC-SP. Psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). Psicoterapeuta de adultos, adolescentes, crianças, famílias e casais. Atuante como Life Coaching em diversas áreas, utilizando essa metodologia para colaborar nos processos de sucessão familiar nas empresas.



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