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Ódio do homem pela mulher pode ser doença e chama-se misoginia

Tatiana Ades 01/01/2016 PSICOLOGIA
Misoginia muitas vezes é confundida com o machismo

por Tatiana Ades

A misoginia é o ódio que diversos homens sentem pelo sexo feminino e tudo o que está ligado a ele. A palavra vem de miso (ódio) e (gene) mulher.

É muito importante ressaltar que esse tipo de preconceito vem se espalhando mundo afora e hoje em dia, nesse época tecnológica, podemos ver diversos blogs e sites onde homens citam ser a mulher responsável por todos os males de suas vidas.

Em consultório constato que essas afirmações e esse ódio provêm de frustrações amorosas. São homens incapazes de lidar com relacionamentos e, por esse motivo, colocam a culpa de seu mal-estar na mulher e essa se tranforma num ser monstruoso que merece ser exterminado.

Sim, não é exagero, eles chegam a citar a mulher como responsável pelo estupro e agressões físicas que recebem; afirmam que elas estão simplesmente recebendo o que merecem.

Um rapaz me confidenciou que ao contrair o vírus HIV positivo da ex-namorada, começou a olhar para qualquer mulher com olhos de ódio e pavor. Indo mais a fundo na sua historia, chego a realidade de que o vírus foi contraído por uma garota de programa, isso sem proteção e sexo seguro. Então, obviamente questiono a “culpa” da situação vinda de uma enorme falta de cuidado por parte dos dois, mas ele se revolta e grita que “não”; que a culpa é da mulher, que qualquer mulher faria o mesmo e que nenhuma delas seria capaz de reconhecer um homem de bons valores.

Qual a origem da misoginia?

Podemos começar citando a Grécia antiga, onde o machismo imperava de forma absoluta. As “helenas” eram escravas e os homens ao terem relações com outros homens se tornavam abençoados, pois interagiam com 'seres superiores'.

Esse ódio vem da atualidade?

Muitos homens me confessam que a modernidade feminina os tornam fracos, que eles não conseguem lidar com uma mulher numa situação de poder profissional ou sexual semelhante a deles, sentem que a igualdade de valores está errada.

Na verdade, esse ódio sempre existiu, assim como qualquer outro ódio. O ser humano precisa literalmente “tapar suas frustrações”, colocando a culpa em outrem, seja uma mulher, ou em qualquer minoria social.

O medo intrínseco no ser humano o faz desviar de sua realidade para grupos de pessoas que ele passa a “julgar” inferiores, causando um alivio e sensação de poder.

A mulher que é agredida, mesmo que verbalmente, deve procurar ajuda, pois a incitação ao ódio é crime.

Não tente debater com esses homens. Apenas um especialista poderá neutralizá-los através de técnicas corretas, por isso cuidado com qualquer tipo de manifestação masculina preconceituosa.

A misoginia muitas vezes é confundida com o machismo e o antropocentrismo, alguns especialistas concordam que há semelhanças e outros discordam, dizendo que são termos diferentes que significam o mesmo.

O machismo ou “chauvinismo” é a crença de que o homem é superior à mulher. A palavra "chauvinista" foi originalmente usada para descrever alguém fanaticamente leal ao seu país, mas a partir do movimento de libertação da mulher nos anos 60, passou a ser usada para descrever os homens que mantêm a crença na inferioridade da mulher, especialmente nos países de língua inglesa.

O antropocentrismo é um termo cunhado pelo antropólogo Lester F.Ward em 1903 e está intimamente ligado à noção de patriarcado. Porém, não se refere apenas ao privilégio dos homens, mas também da forma como as experiências masculinas são consideradas como iguais as experiências de todos os humanos e tidas como uma norma universal tanto para homens quanto para mulheres, mas sem dar o reconhecimento completo e igualitário à sabedoria e experiência feminina. A tendência quase universal de se reduzir a raça humana ao termo "o homem" é um exemplo excludente que ilustra um comportamento androcêntrico - propensão a supervalorizar o ponto de vista masculino.




Tatiana Ades

É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.



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