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Paixão pode ser vício ou doença. E tem cura?

Anette Lewin 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Pode-se apaixonar pela sensação de se apaixonar

por Anette Lewin

"Eu namoro um cara há 5 anos. Nunca tivemos problemas, sempre o amei e ele a mim. Porém, depois de três anos, comecei a ter falhas e querer outros homens; cheguei a trair e ele perdoou; tentei me controlar mas aconteceu de novo. Ele quer viver comigo e eu com ele, mas me apaixonei por outro cara. Não sei mais o que fazer para me tratar. Isto é uma doença? E tem cura?"

Resposta: Para um comportamento ser classificado como "doente" ele precisa estar sendo nocivo a você mesma ou aos outros num nível que chegue a atrapalhar sua vida ou a dos outros.

Assim, a paixão por si só, não é uma doença ou um vicio. Mas pode se tornar patológica se transcender o campo amoroso e começar a atrapalhar os outros aspectos de sua vida.

No seu caso, suas paixões trazem ansiedade, angústias e indecisões. Você gosta de uma pessoa, mas gosta também de se apaixonar por outras. E tenta conciliar tudo isso numa sociedade monogâmica. Tarefa difícil!

Seu namorado já a "perdoou" mas você continua sentindo a necessidade de viver a sensação de estar apaixonada, o que, num relacionamento de cinco anos fica difícil. Afinal, a paixão está muito ligada ao desconhecido, ao novo, à fantasia do outro que temos em nossa cabeça e não ao outro como ele realmente é. Quando você diz que se apaixonou por outro cara, talvez, na realidade, esteja apaixonada pela sensação de estar apaixonada. Afinal, o outro cara provavelmente não passa de uma novidade em sua vida, alguém que você mal conhece. E quando conhecer melhor, certamente poderá sentir por ele muitas coisas, menos a "paixão" que sente agora.

Assim, antes de tomar qualquer resolução com relação ao namoro, tente olhar realisticamente para o que são relacionamentos amorosos. Esqueça um pouco o "agora" e observe o "antes" e o "depois". Sim, porque todos os relacionamentos têm um hoje, um ontem e um amanhã. E quando se foca só no hoje, corre-se o risco de perder partes essenciais da história e ficar reclamando depois.

Relacionamento casual e relacionamento profundo trazem sensações diferentes. É importante que você decida qual dessas sensações prefere. E, ao decidir, entenda que escolhas têm consequências. Optar por viver apaixonado não é doença, desde que se assuma que paixões acabam e nem sempre acabam ao mesmo tempo para os envolvidos. Sim, essa é uma das amargas possibilidades das doces paixões... E que relacionamentos mais profundos não são mais fogosos depois de certo tempo, mas abrem uma gama de possibilidades sentimentais prazerozas. Sim, essas podem ser as doces consequências de uma relação sem rojões.

Conciliar as duas coisas?

Também pode, desde que se saiba administrar. Ou em relações abertas, onde ambos assumem que terão relacionamentos paralelos; ou num pacto não explicito, onde se combina que um não vai interferir na vida do outro e cada um fará o que quiser; ou de qualquer outra forma que a criatividade, a maturidade e a responsabilidade do casal permita.

Enfim, em relacionamento vale o que foi combinado. Assim, o mais sensato a fazer é pensar bem antes de combinar. E entender que existe um hoje, um ontem e um amanhã que devem entrar nessa avaliação.

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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