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Busca compulsiva por um parceiro afetivo atrapalha felicidade

Patricia Gebrim 01/01/2016 PSICOLOGIA
Estar em um relacionamento é uma forma corajosa de viver

por Patricia Gebrim

De onde foi que tiramos essa ideia de que só podemos ser felizes se encontrarmos o "amor de nossas vidas"???

Tenho observado as pessoas ao meu redor. Para muitas delas, por mais que suas vidas estejam recheadas de conquistas, construções, superações e alegrias, parece que nada tem valor se não tiverem um relacionamento amoroso. É como se a conquista de um parceiro afetivo fosse uma espécie de troféu que faz todo o resto valer a pena.

Deixe-me deixar claro... não tenho nada contra relacionamentos!

Penso que através deles crescemos como nunca e temos a oportunidade de conhecer tanto as belezas do paraíso quanto o calor do inferno (não há como evitar essa parte). Estar em um relacionamento é uma forma corajosa de viver. É como ter um espelho gigante plantado à nossa frente o tempo todo. Não temos como fugir de nós mesmos quando nos relacionamos. Não temos como evitar dar de cara com as nossas sombras, feridas e imperfeições. Relacionar-se... não é para todos, é preciso coragem para olhar para esse espelho que muitas vezes parece amaldiçoado.

É claro que também vivemos momentos sublimes de troca, alegria e amor! É claro que, se o relacionamento for saudável, também vivemos momentos de leveza e companheirismo, o que nos faz querer experimentar essa troca com um outro ser humano.

Mas "precisar desesperadamente" de um relacionamento é o que não me parece saudável.

Eu compreendo que, por trás dessa busca compulsiva, existe uma busca mais profunda, a busca existencial de nos sentirmos inteiros. Em algum lugar, dentro de nós, sabemos que o masculino e o feminino precisam estar unidos dentro de nós para que nos sintamos um todo. Só que projetamos isso para fora, para os relacionamentos, e aí é que começa toda essa confusão.

Se nos mantivéssemos conectados com essa necessidade de integração "dentro" de nós. Se nos empenhássemos em unir o masculino ao feminino interno, em combinar a nossa força à doçura, nossa capacidade de acolher e lutar, sentir e agir, descansar e batalhar... Se nos tornássemos inteiros por dentro, talvez não precisássemos de forma tão desesperada encontrar um oposto lá fora.

Essa busca desenfreada, quando voltada ao mundo externo, nos conduz invariavelmente a sentimentos de solidão. Nos sentimos sós quando não temos um parceiro. Mas nos sentimos sós, "mesmo quando temos um parceiro", porque passada a fase da paixão, em que nos tornamos momentaneamente cegos, voltamos a sentir a lacuna que existe dentro de nós, lacuna essa que relacionamento algum será capaz de preencher.

Se você não for inteiro por dentro, sempre sentirá que algo falta, mesmo que tenha alguém a seu lado. Se você não for inteiro, sempre se sentirá só.

Ok, não há nada de errado em você querer encontrar alguém para seguir a seu lado na vida. Mas tente, nem que seja só por um momento, avaliar a possibilidade de que, mesmo se isso não acontecer, ainda assim, você possa ser feliz.

Se essa crença fosse verdadeira, se estar em um relacionamento fosse garantia de felicidade, as pessoas que fazem parte de um casal seriam felizes, certo?

Olhe ao redor e cheque se é isso o que acontece na maioria das vezes. Talvez você se surpreenda. Talvez descubra que esperamos demais dos relacionamentos e que muitas vezes os sufocamos sob nossas expectativas impossíveis de serem atingidas.

Faça as pazes com a vida como a vida é. Se você está se relacionando com alguém, procure não esquecer de ser você mesmo. Não coloque tanto peso sobre a relação, não espere demais dela.

E se você não está em um relacionamento, faça as pazes com isso também. Aproveite a sua própria companhia, relaxe, confie que as coisas acontecem naturalmente na vida, brilhe, seja quem você é e torne-se inteiro.

Talvez um dia alguém venha atraído por seu brilho. Talvez não. Ainda assim existe um "hoje" esperando por você para celebrar a vida, a alegria e a felicidade.

 




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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