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Entenda a relação entre memória, aprendizado e envelhecimento

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
É possível superar limitações biológicas do processo de envelhecimento

por Elisandra Villela G. Sé

Todo nosso aprendizado depende intimamente da memória. Não aprendemos nada sem ela. A memória está presente em todas as funções da mente humana. A aprendizagem trata-se do primeiro estágio da memória, ou seja, é a fase da aquisição de informações a serem memorizadas.

A memória sensorial que é a memória dos sentidos, como a memória auditiva, memória visual são as principais para o aprendizado. Todas as informações entram pelos nossos sentidos. Aprendizado é um processo sensório-perceptivo, trata-se de um registro de informações através dos sentidos e consequente armazenamento e tratamento das informações que se transformam em conhecimentos. Desta forma, a memória sensorial é a chamada memória primária. A memória auxilia na aquisição e armazenamento de conhecimentos para o indivíduo pensar e agir sobre o ambiente.

Todas a habilidades que temos para desempenhar tarefas no dia a dia são capacidades ou competências que adquirimos com algum tipo de aprendizado. Tudo na vida é aprendido. A aprendizagem envolve percepção, decodificação, comparação e memorização, e se dá por meio das nossas práticas sociais e culturais. É através das nossas ações e da organização social que nós nos desenvolvemos, utilizando instrumentos para manipular objetos, se adaptar e assegurar nossa sobrevivência.

A manipulação de instrumentos e ferramentas nos permite adquirir experiências e conhecimentos do mundo que são armazenados na nossa memória de curto prazo, ou seja, nossa memória para informações mais provisórias e depois transferidas para a memória de longo prazo, isto é quando as informações são tratadas, reformuladas e armazenadas numa memória mais permanente.

O aprendizado pode se dar de maneira explícita ou implícita. O aprendizado explícito envolve evocação de palavras, já o aprendizado implícito não envolve a declaração, a enunciação daquilo que você está aprendendo ou aprendeu. A memória operacional, que é a memória de trabalho, auxilia no aprendizado. É uma memória intermediária entre a memória de curto prazo e memória de longo prazo. A memória de trabalho nos dá a oportunidade de manipular ferramentas, instrumentos, com as nossas práticas e adquirir informações e conteúdos para depois utilizarmos no cotidiano. Tais conteúdos podem ser falados (memória episódica) ou não (memória de procedimento).

A memória de curto prazo e longo prazo podem ter processos independentes e também em paralelo. Não existe uma via de mão única ao tratarmos aprendizagem e memória. Quando estamos aprendendo uma tarefa ou adquirindo informações por meio da leitura, por exemplo, ativamos outros conhecimentos já guardados na nossa memória de longo prazo. Ativamos e selecionamos o que já adquirimos para utilizarmos em novos processos de aprendizagem, por exemplo o nosso vocabulário, significados, experiências, etc.. O que existe é um constante ir e vir das memórias ao aprender coisas novas.

Assim, a memória não é um local passivo de estocagem de informações. Ela é um processador de informações. É a memória que ajuda vir a saber. Quanto mais manipularmos objetos, viver num ambiente rico em estímulos, se relacionar com as pessoas, resolver problemas e experenciar eventos diferenciados, mais nossas habilidades vão se transformando e tomando forma de conhecimentos mais sofisticados. É com a ação da repetição e diferenciação de experiências que a memória auxilia no aprendizado e atinge sua eficiência.

Com o processo de envelhecimento as pessoas idosas podem apresentar suas capacidades de aprendizado um pouco diminuídas em relação aos jovens. Entretanto, ao falarmos da capacidade de aprender de jovens e idosos, muitas diferenças fazem a diferença durante o aprendizado. Aprender algo depende não só de fatores biológicos, mas também da personalidade, da motivação, dos estados afetivos, do estilo de vida, de fatores socioculturais, das crenças pessoais sobre a capacidade e das metas de vida.

Idosos podem ter suas capacidades de aprendizado diminuídas, porém se pessoas adultas e idosas podem apresentar elevado grau de especialização intelectual, e desempenhos bastante competentes para várias atividades devido à influência da cultura, dos estímulos que receberam, que os permitem superar as limitações biológicas do processo de envelhecimento. Por isso é que diferentes capacidades são adquiridas e desenvolvidas de maneiras diferentes, para diferentes pessoas em diferentes momentos com diferentes resultados. Os conteúdos aprendidos e memorizados dependem de como foram aprendidos e de como foram guardados. Esta é a diferença que faz a diferença ao falarmos de memória e aprendizado.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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