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O meu parceiro é ausente: toda a culpa é minha ou tenho só parte de culpa nisso?

Anette Lewin 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Primeiro, torne-se interessante para você

por Anette Lewin

"Estava em um relacionamento há quase seis anos. Tivemos várias separações e todas pelo mesmo motivo: falta de comprometimento da outra pessoa, preferir os amigos à minha companhia, cobranças constantes de minha parte para que desse mais importância à relação. Enfim, até que não aguentei mais e pus um ponto final. Cheguei a pensar que toda a culpa, até a ausência dele, era minha culpa também."

Resposta: Numa relação amorosa a palavra culpa não serve para muita coisa.

Ao invés de partirmos da ideia de que o amor é uma disputa onde um está certo e o outro errado, seria melhor entendermos o relacionamento amoroso como uma sociedade onde ambos devem batalhar por objetivos e pelo bem-estar comum.

Você relata que seu namorado não lhe dava atenção, preferindo outras pessoas a você. Mas será que você chegou a se questionar o que você fazia para conseguir essa atenção? Parece que seu papel na relação era algo parecido com o de uma cobradora: você pedia essa atenção com palavras e argumentos e achava que ele deveria simplesmente atender ao seu pedido. Afinal, vocês estavam juntos! Bem, talvez o problema esteja aí. Você soube conquistar uma pessoa, mas não se preocupou em entender o que deveria fazer para mantê-la. E a manutenção é a chave da questão.

Reconquista do parceiro deveria ser diária

Existe uma crença no romantismo que a relação se mantém automaticamente depois do "sim". "Você se torna eternamente responsável pelo que cativa" diz convictamente uma personagem do "Pequeno Príncipe". Será? Claro que não. Quem conquistou, conquistou, quem foi conquistado, foi conquistado. Apenas isso. Nada garante a duração dessa relação se não houver um trabalho de manutenção. E esse trabalho certamente não consiste em levantar a mãozinha dizendo: "Ei! Estou aqui! Olha pra mim! Você me escolheu!" Consiste em reconquistar o parceiro diariamente através do que você é; do que você faz para se manter uma pessoa interessante que tem histórias para contar, vitórias ou derrotas para partilhar e planos em conjunto para sonhar. Assim, num próximo relacionamento, tente se tornar uma pessoa cada vez mais interessante ao invés de tentar conquistar uma pessoa interessante.

Você diz que seu parceiro preferia a companhia dos amigos à sua. Pois é, quem cobra muita atenção acaba espantando as pessoas do seu lado. Entenda que num encontro de amigos acontece de tudo, menos cobranças. Os amigos jogam conversa fora, riem, bebem... enfim, sentem-se livres para serem quem são e relaxar. Esse clima certamente atrai mais do que discutir a relação, não é? Se você conseguir criar esse tipo de ambiente dentro de sua casa, certamente conseguirá atrair e manter seu parceiro mais perto de você.

Enfim, agora que você se separou, bola pra frente. Ficar remoendo sem objetividade só serve para fazer sua autoestima levar tombos. Tente ficar bem na sua própria companhia até surgir alguém com quem valha a pena começar um novo relacionamento. E quando isso acontecer, não se abandone para agradar ninguém. O equilíbrio de uma relação acontece quando os envolvidos tratam bem de si mesmos, pois é quase impossível ser interessante para o outro, se você não é interessante para si mesma.
 

ATENÇÃO: As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psicologia e não se caracterizam como sendo um atendimento

 

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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