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Como perdoar uma decepção sem ser de boca pra fora?

Redação Vya Estelar 01/01/2016 PSICOLOGIA
Perdoar exige amadurecimento

por Silvia Maria de Carvalho

"Sempre fui uma pessoa de perdoar sem guardar mágoas. Fui muito decepcionada pelo meu esposo inúmeras vezes, sempre perdoei. Mas ano passado fui decepcionada por uma amiga e desde então, mudei como pessoa. Não consigo mais perdoar e nem esquecer as mágoas. Será que um dia vou conseguir ser aquela pessoa que confia, perdoa e entende a todos? Não sei mais como lidar com essa minha mudança"

Resposta: Impossível passar pela vida sem nunca magoar ou ser magoado. Mesmo sem intenção, ferimos e somos feridos, decepcionamos e somos decepcionados. Quando se trata de humanos é assim.

Por mais que queiramos bem a outra pessoa, às vezes esbarramos nessas limitações. Há também pessoas que cultivam o ódio e prejudicam os outros por não saber viver de outra maneira. A gente costuma dar aquilo que tem.

Perdoar genuinamente é uma das coisas mais difíceis que um ser humano pode fazer. Pra não ser "da boca pra fora", é necessário amadurecimento. Só nós mesmos podemos saber quando é o momento de dizer finalmente: "tudo bem".

Perdoar não é uma ação de uma vez. É um processo. Requer gentileza e paciência para digerir a questão. Antes de tudo, estamos lidando com sentimentos. E não há um botão de "liga" e "desliga".

É bastante produtivo questionar todos os acontecimentos e sentir realmente o que te aconteceu. Perdoar não significa esquecer. Pode ser que as coisas, de fato, não voltem ao normal. E nunca voltam. Nada volta. As coisas se transformam o tempo todo. Nós nos transformamos o tempo todo na relação que estabelecemos com as coisas e com as pessoas. Não podemos voltar atrás e desfazer a ferida.
Mas há algo que podemos sim aprender. Algo que não depende de quem nos magoou. Depende de nós.

O que fazer com aquilo que nos fizeram?

Não devolver o mal depende de nós. Sentir raiva é normal, esperado e coerente em determinadas situações. Estranho seria levar um tombo e não sentir dor. Às vezes temos que "jogar a toalha" e fazer uma limpeza nas nossas relações pessoais. A ira pode nos ajudar. É como febre, indica que algo vai mal e precisa ser visto. Mas manter a raiva, regá-la e fazê-la crescer, pode ser uma opção. O tempo que ela permanece em nós, já não é mais problema do outro, sim nosso. E como queremos viver? Sabemos que cada episódio de raiva aumenta os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e enfraquece o sistema imunológico. Portanto, ressignificar a raiva faz bem à saúde física e mental.

Perdão é reduzir o ressentimento e aumentar a benevolência e compreensão aos que foram injustos. Da compreensão faz parte ver a outra pessoa como um todo, sem defini-la apenas por suas ações.

Pensar na história do outro e principalmente entender que nós, humanos, somos vulneráveis e erramos.

Mais uma vez, não há regra. Não passe por cima de você. Respeite seus sentimentos e leve o tempo que for. Depois, escolha o modo que quer viver.

Pensamentos:

"Das virtudes quase não se fala mais. Isso não significa que não precisemos mais delas, nem nos autoriza a renunciar a elas. É melhor ensinar as virtudes, dizia Spinoza, do que condenar os vícios. É melhor a alegria do que a tristeza, melhor a admiração do que o desprezo, melhor o exemplo do que a vergonha." Pequeno Tratado das Grandes Virtudes "Faz o teu bem com o menor mal possível"
Rosseau

 




Redação Vya Estelar

Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.



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