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Por que pioro quando tomo antidepressivo?

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
20% a 30% dos pacientes podem não responder adequadamente aos antidepressivos

por Joel Rennó Jr.

"Tenho dificuldade de entender por que todo antidepressivo me deixa pior. Quando falo pior, é pior mesmo. Quando paro de tomar me sinto melhor, porém tem dias que fico muito nervosa irritada, de mau humor e tenho muita ansiedade. Mas é só entrar com antidepressivo, que meu mundo vem abaixo. Já passo por um psiquiatra há quatro anos e ele não consegue fechar um diagnóstico."

Resposta: Como qualquer medicamento, os antidepressivos podem dar efeitos colaterais no início de tratamento. Alguns efeitos como ansiedade, agitação, alterações do sono e apetite, náuseas, tonturas, boca seca, entre outros, podem ocorrer e costumam ser breves, leves e transitórios - restritos às primeiras duas semanas de tratamento.

Hoje temos várias opções terapêuticas diferentes e, algumas trocas podem ser necessárias, até que o antidepressivo eficaz e com baixo perfil de efeitos colaterais seja descoberto. Por mais que tenhamos estudos demonstrando o baixo perfil de efeitos colaterais dos antidepressivos e a eficácia dos mesmos, sabemos que a resposta individual é sempre diferente da resposta de uma amostra populacional presente nos estudos e isso precisa ser levado em consideração.

Do ponto de vista genético, o nível de metabolização hepática dos antidepressivos pode também variar de pessoa para pessoa. Alguns metabolizam a droga rapidamente (com menor nível sanguíneo da medicação) e outros de forma mais lenta (portanto, com maior nível plasmático da medicação). Na atualidade, é possível diferenciarmos por exames laboratoriais os diferentes perfis de metabolizadores (lentos, rápidos e ultra-rápidos).

Outro aspecto relevante é sempre se questionar o diagnóstico quando a resposta terapêutica aos antidepressivos é ruim após várias trocas e muito tempo de tratamento. Há vários tipos de depressão, temos a depressão que ocorre no transtorno bipolar (e daí o uso de estabilizadores de humor é obrigatório) e há as comorbidades psiquiátricas (associações de quadros depressivos com transtornos de ansiedade, personalidade e outros) que pioram o prognóstico e a resposta.

Cerca de 20% a 30% dos pacientes podem não responder adequadamente aos antidepressivos e para esses casos, além da psicoterapia associada (que auxilia muito na melhora da resposta), outros métodos terapêuticos, não farmacológicos, podem ser utilizados como a estimulação magnética transcraniana e o estímulo elétrico direto transcraniano que são métodos seguros e praticamente isentos de efeitos colaterais significativos.

Portanto, em algumas situações isoladas, pode ser necessária até a procura por uma segunda opinião médica porque o diagnóstico e tratamento podem ser complexos.

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento. Dúvidas e perguntas sobre receitas e dosagens de medicamentos deverão ser feitas diretamente ao seu médico psiquiatra. Evite a automedicação.




Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br



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