DESTAQUES

Como lidar com uma proposta de relacionamento aberto?

Anette Lewin 01/01/2016 COMPORTAMENTO
É desejável que a relação a dois esteja bem trabalhada

por Anette Lewin

"Tenho 23 anos, namoro há dois anos e minha namorada me propôs um relacionamento aberto, mas não consigo conceber a ideia. Ela diz que isso pode ajudar a melhorar a relação, mas não consigo entender como ter relações com outras pessoas pode melhorar o que há entre nós. Só de imaginar ela com outro homem, já me dá um aperto no peito. Sei que ela já não sente tanta atração por mim agora como no início, mas sinceramente nunca pensei em traí-la. Mesmo com seu consentimento, não sinto nenhuma vontade de procurar outra pessoa. Eu a amo muito e com isso obviamente eu me torno tanto possessivo, sei que não sou dono dela. Não quero outra pessoa e também não quero vê-la com outro e nem imaginar isso."

Resposta: "Não quero mais ninguém, não quero outra pessoa, não quero perdê-la, não quero vê-la com outro e nem imaginar isso". Reparou quanta ênfase você dá à palavra não? É como se você estivesse tentando convencer a si mesmo de alguma coisa sobre a qual não tem certeza. É claro que a proposta de sua namorada mexe com você; e é claro que você, frente a essa proposta não convencional, deixa aflorar todos os medos de ser comparado com outro e perder a parada. A proposta não faz parte do modelo de relacionamento para o qual você foi criado e obriga você a assumir um eventual risco e suas consequências. Sem nenhuma " lei" que o ampare.

Primeiro ponto a levar em conta: a proposta de sua namorada sinaliza que as vivências dentro da relação de vocês não são suficientes para ela. Podem ser para você, mas ela, no momento, quer experiências diferentes e mais "ousadas". Que, no caso, incluem uma cumplicidade com você. Sim, porque ela poderia ter outros relacionamentos em paralelo sem você saber, ou poderia trocá-lo por outra pessoa. Mas não é o que ela faz: ela propõe relacionamentos fora do namoro com a sua cumplicidade. Aceitar ou não a proposta depende única e exclusivamente de você. Ninguém é obrigado a fazer o que não quer, mesmo que seja para realizar a fantasia do outro.

Provavelmente um dos seus receios esteja ligado às consequências de um sim ou um não à proposta de sua namorada. Obviamente, tudo depende muito do amadurecimento e da solidez da relação de vocês. Nenhuma proposta sexual não convencional pode, por si só, determinar o sucesso ou o fracasso de um relacionamento amoroso. Como vocês são muito jovens, a experiência de ter relacionamentos paralelos pode adquirir uma importância maior do que ela realmente deve ter e bagunçar a cabeça de vocês expondo as inseguranças de cada um. Em geral, esse tipo de experiência tende a mobilizar positivamente casais que apenas desejam apimentar seu relacionamento, já estabilizado, com algo novo. Nesses casos, a confiança já existe e a experiência tende a ser encarada mais como uma brincadeira. E mesmo assim, pode gerar ciúmes. No caso de pessoas que estão num começo de namoro, o perigo de uma ruptura tende a ser maior. Em outras palavras, antes de colocar outras pessoas na relação amorosa é desejável que a relação a dois esteja bem trabalhada para que a experiência acrescente algo ao casal e não destrua o que o casal ainda está tentando construir.

Por outro lado, talvez esse seja um momento importante para que você aprenda mais sobre sua sexualidade e sobre a sexualidade feminina. Tente entender como funciona a cabeçada de sua namorada, quais as fantasias que ela curte, o que você pode fazer para animar essa relação. Lembre-se que no início de um relacionamento sexual quase tudo funciona por ser novidade. Depois de algum tempo, muita coisa que funcionava não funciona mais e a criatividade, a sensibilidade e a ousadia de tentar o novo devem entrar em ação. Crie e divida com ela suas fantasias mesmo que não as coloque em prática. Nem tudo, em sexo, precisa ser concretizado para ter graça. Divertir-se a dois com uma proposta ousada pode trazer bons momentos para o casal mesmo que, na prática, a fantasia compartilhada não se realize.

E, por fim, aceitando ou não a proposta de sua namorada, tente evitar os "nãos" por princípio. Pense, avalie, compartilhe suas dúvidas, como está fazendo ao escrever para esta coluna, e torne-se mais consciente do que você é, do que você quer, do que você é capaz de abrir mão por um relacionamento, enfim, use momentos de dúvida em prol do seu crescimento pessoal. Certamente uma pessoa mais consciente e mais completa consegue conquistar uma mulher com mais facilidade do que aquela que apenas lhe realiza os desejos.

 

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

ENVIAR PERGUNTA



Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



ENQUETE

É possível ser você mesmo no ambiente de trabalho?






VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2019
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.