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Por que cresce a assistência domiciliária ao idoso

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Elisandra Vilella G. Sé

Uma nova modalidade de atendimento à saúde do idoso no Brasil, vem sendo enfatizada: é a assistência domiciliária. Essa modalidade de atendimento já existia, mas tem crescido nas duas últimas décadas. Não só os cuidados ao paciente crônico, mas também a assistência e trabalho de reabilitação para estimulação ou reeducação, seja na área de fonoaudiologia, fisioterapia, educação física, tearapia ocupacional, etc...

No Brasil os serviços de atendimento domiciliário estiveram voltados à área de saúde pública, visando à promoção da saúde e à prevenção de doenças. Atualmente, esse atendimento restringindo-se mais às atividades relacionadas à vigilância epidemiológica.

Recentemente, verifica-se um outro segmento de atividades relacionadas ao atendimento domiciliário que se aproxima do conceito de home care (assistência hospitalar em casa) já adotados em países desenvolvidos.

Nos Estados Unidos, o Public Health Service define o atendimento como um serviço de contínuo cuidado à saúde oferecido à pessoa e à família em sua residência com o objetivo de promover, manter ou restaurar a saúde, maximizar a independência, a capacidade funcional do indivíduo, minimizar os efeitos da incapacidade ou doenças, incluindo a perspectiva terapêutica.

O desenvolvimento da assistência domiciliária às pessoas idosas surgiu devido a algumas necessidades como:

- individualização da prestação de serviço, atendimento personalizado;

- desenvolvimento das ações de cuidados levando em conta a privacidade e segurança da casa do paciente;

- possibilidade da família manter maior controle sobre o processo terapêutico, em relação à tomada de decisões relacionadas ao cuidado;

- diminuição dos custos quando comparadas intervenções equivalentes entre domicílio e hospital;

- maior envolvimento do cliente/família com o planejamento e a execução dos cuidados necessários desenvolvidos de forma mais individualizada.

Por que aumentou a procura pelo atendimento domiciliário?

- mudanças demográficas observadas em nossa pirâmide populacional revela um aumento do envelhecimento populacional cada vez mais acentuado;

- custos relacionados ao sistema de saúde que são sempre questões preocupantes dos envolvidos;

- comparando os custos de assistência domiciliária com a hospitalar, essa possui um valor mais elevado;

- desenvolvimento tecnológico que permite a simplificação dos equipamentos individualizados para serem utilizados em casa;

- interesse e aceitação dos profissionais, pois são muitos os profissionais de diversas áreas que vêm se interessando por essa modalidade de atendimento;

- instituições que vêm desenvolvendo programas próprios para esse tipo de assistência;

- aumento do interesse por profissionais que vem até ao paciente, o que facilita a rotina do paciente quanto ao transporte para ir até ao hospital ou clínica.

O atendimento domiciliário é uma estratégia de atenção à saúde que abrange muito mais do que um simples tratamento padronizado. É um método aplicado ao paciente que enfatiza sua autonomia, reforça suas habilidades, cria um maior vínculo com a família e um planejamento terapêutico mais personalizado e visitas programadas.

O objetivo principal do enfoque gerontológico na assistência domiciliária é a manutenção dos idosos na família, conforto e dignidade de seus lares. Bem como orientar os familiares quanto ao significado do cuidado ao idoso no seu ambiente doméstico.

Os familiares envolvidos no processo, vivem próximos ou visitam, o que implica contatos recíprocos e responsabilidades dentro do contexto de atenção servindo a gerontologia de mediadora entre seus parentes e profissionais que prestam a assistência.

A abordagem gerontológica com a família possibilita:

- gerar sentimentos de afeição;

- reconhecimento pelo esforço do paciente no tratamento;

- estimulo à continuidade do trabalho, ao companheirismo;

- proporciona apoio e segurança pessoal, satisfação e propósitos entre os membros;

- transmite sentimento de responsabilidade e a socialização entre os membros familiares.

O atendimento domiciliário voltado para à área gerontológica é bastante promissor para o futuro, porém torna-se necessário capacitar profissionais nesse campo, que possui características bem específicas.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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