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Otimismo é bem mais que pensar positivo

Lilian Graziano 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Otimismo sem atitude pode gerar expectativas irreais

por Lilian Graziano

Caro leitor(a), começo esta coluna com a seguinte pergunta:

- Existe pessimismo do bem?

Sim… principalmente em profissões em que é necessário municiar a equipe e clientes de informações sobre prevenção de acidentes de problemas que possam acontecer.

Isso acontece, por exemplo, na medicina, no trabalho policial, nas áreas de segurança e qualidade, dentre outros campos profissionais.

Mas essas áreas também precisam de doses extras de otimismo quando é necessário prever e estabelecer soluções e gerir crises, bem como, no caso da medicina, quando é preciso agarrar-se a qualquer possibilidade de cura do paciente para definir o seu tratamento. Então, mesmo quando o pessimismo é tecnicamente, cientificamente e altamente recomendado, o otimismo marca sua grande importância.

A grande confusão é achar que o otimismo é puramente "pensar positivo", justamente o que não é. Otimismo é também focar os possíveis resultados e soluções positivas para um problema/situação, sem ignorar, porém, todas as possibilidades existentes (incluindo as negativas). Não é fechar os olhos e simplesmente acreditar que tudo vai dar certo, mas planejar, visualizar e por em prática todos os processos necessários para que isso aconteça. É trabalhar para o resultado positivo desejado, em vez de desistir dele, diante dos percalços possíveis. Eis uma postura assertiva diante da vida, que a Ciência já provou ser fonte de maior longevidade. Por isso é objeto de estudo da Psicologia Positiva.

Equilíbrio

O risco do pessimismo é, por sua vez, virar um hábito que nos oriente para atitudes e pensamentos que sabotam as ações em prol das possibilidades positivas (principalmente nas situações em que estas últimas são ínfimas, ainda que factíveis).

O risco de somente pensar positivo, sem agir para que tudo fique bem, por outro lado, é viver uma vida de frustração: otimismo sem atitude pode gerar expectativas irreais e grandes descontentamentos que culminarão, por fim, na descrença em desfechos positivos, trazendo o pessimismo para o cotidiano com mais frequência e em situações nas quais perspectivas pessimistas pouco têm a acrescentar.

Essência do otimismo

Sintetizando, eu diria que ser otimista não é simplesmente pensar que tudo vai dar certo. E embora importante, também não é batalhar para que tudo, de fato, dê certo. A essência do otimismo se encontra em pensar em possibilidades realistas de que tudo dê certo.

Talvez um excelente começo para isso seja voltarmos nosso olhar para o positivo em nossas vidas, para aquilo que deu certo no passado e que pode se repetir, para as incríveis coincidências, para as inesperadas ajudas que tivemos em momentos difíceis, Afinal de contas, tais coisas se configuram num importante antídoto para ideias catrastofistas em relação ao futuro.




Lilian Graziano

Diretora dos Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, psicóloga e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) com pós-graduação em Psicoterapia Cognitiva Construtivista. Seu doutorado sobre Psicologia Positiva e Felicidade foi a primeira tese brasileira baseada nessa abordagem. Atua há mais de 20 anos na Educação com foco no desenvolvimento de condutas preventivas para os comportamentos humanos disfuncionais. Possui certificação em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. Treinou e atendeu centenas de funcionários de grandes organizações tais como: Coca-cola, Basf, Bank Boston, Accenture, British Petroleum, Merrill Lynch, Unilever, dentre outras.



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