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Conceituamos o tempo de forma errada

Lilian Graziano 01/01/2016 PSICOLOGIA
Ele vale por sua escassez: a vida é curta

por Lilian Graziano

Já reparou como corremos? Tornamo-nos seres tarefeiros e qualquer coisa que não possa ser "ticada" numa lista parece ser "perda de tempo". Será?

Nossa relação com a correria cotidiana nos revela o maior dos paradoxos.

Corre-se porque o tempo é valioso. Mas, se ele é tão valioso, por que corremos todo o tempo e não o aproveitamos?

Os mais pragmáticos diriam que isso acontece porque tempo é dinheiro. Os inconformados anticapitalistas repetiriam que isso é loucura. Os mais hedonistas transformariam o prazer a todo o tempo, e intenso, em loucura.

A verdade é que o tempo é valioso, mas não por nada disso. Está errada essa nossa forma de conceituar o tempo. Ele vale por sua escassez: a vida é curta. Vale porque não se volta atrás.

Aliás, volta-se atrás, sim, na memória. Mas quem acha que tempo é dinheiro, muitas vezes, não tem do que se lembrar, para onde ou quando voltar. E então, por que correu o tempo todo, nem se lembra mais por que produziu tanto, todo o tempo (talvez nunca tenha sabido).

O tempo também é valioso por seu sentido. Que sentido tem o seu tempo? Pois tempo é vida - são indissociáveis, e só se vive uma vez. Se tempo é sentido e tempo é vida, sentido na vida é fundamental. E temos uma única chance.

Talvez uma vida sem sentido, em que não se enxergue um significado de largo horizonte, remeta apenas à curta perspectiva de uma... tarefa.

Não se percebe que o tempo nos presenteia experiência, sabedoria, superação e alegria. E horizontes.

Algumas vivências se escondem atrás de um relógio a medir o tempo que falta para o próximo tique da lista. A gente não as percebe, a não ser que tenha tempo para tanto. Tempo para entender o significado de tudo isso.

É tempo para o savoring

Tempo, em Psicologia Positiva, não é exatamente poesia. Mas é sentido, em todos os sentidos: significado e sentimento. É a pausa necessária para avaliar nossa trajetória e pesar na balança o quanto fomos felizes ou infelizes, o que é preciso mudar. É tempo para o savoring (o deleite com aquilo que nos dá prazer, que nos tira das preocupações cotidianas e permite enxergar o que há de mais belo ao nosso redor). É também tempo de produzir, mas com sentido, dentro de um projeto de vida que nos faça feliz.

"Tempo, tempo, tempo, tempo... és um dos deuses mais lindos (...)"




Lilian Graziano

Diretora dos Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, psicóloga e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) com pós-graduação em Psicoterapia Cognitiva Construtivista. Seu doutorado sobre Psicologia Positiva e Felicidade foi a primeira tese brasileira baseada nessa abordagem. Atua há mais de 20 anos na Educação com foco no desenvolvimento de condutas preventivas para os comportamentos humanos disfuncionais. Possui certificação em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. Treinou e atendeu centenas de funcionários de grandes organizações tais como: Coca-cola, Basf, Bank Boston, Accenture, British Petroleum, Merrill Lynch, Unilever, dentre outras.



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