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Quando sair de um relacionamento? Você sabe?

Patricia Gebrim 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Muitas pessoas abandonam precocemente um relacionamento amoroso

por Patricia Gebrim

Fruto maduro que não é colhido, apodrece. Disso todos nós sabemos, pelo menos no que diz respeito a peras e maçãs. Na vida, no entanto, as coisas não são tão fáceis assim.

Nós, seres humanos, temos uma dificuldade enorme em nos sintonizar com os ritmos e o tempo de nosso próprio amadurecimento, o que me faz pensar... Como algo tão fácil para a natureza pode ser tão difícil para nós?

A natureza, sábia como é, possui a capacidade de reter, bem como a de deixar ir. Pense, por exemplo, em uma macieira. Ela retém a maçã em seus galhos até que ela esteja vermelha, bem cheirosa e suculenta. E se esse fruto não for colhido, ou derrubado por um pássaro mais ávido por comida, a maçã simplesmente cai.

Isso é o melhor para a árvore, que pode então se preparar para novos frutos, bem como para a maçã, que acabará se misturando com a terra, tornando-se útil, gerando novas árvores e fertilizando a terra, que nutrirá a árvore, que produzirá mais frutos, e por aí vai. Tudo tão perfeito!

Por que não somos capazes dessa fluidez?

Penso então no quanto nos afastamos de nossa natureza interna. No quanto paramos de escutar e respeitar aquilo que brota do lugar sagrado que existe dentro de nós. No quanto estamos surdos. E mais... se não somos capazes de ouvir a voz de nosso coração, o que se dizer da voz de nossa alma?

Quantas vezes, surdos como 'portas', entramos em ansiedade e nos apressamos em colher os frutos cedo demais. Nos vemos então com aquela coisa verde e ácida em nossas mãos, e pensamos: que desperdício. E temos que começar tudo de novo, desde o início, e rezar para que desta vez saibamos esperar.

Muitas pessoas abandonam precocemente um relacionamento amoroso por se sentirem ansiosas demais para confiar no ritmo da vida. Antecipam-se, atropelam a si e ao outro, e constantemente tem que recomeçar.

Outras vezes esperamos tempo demais. O fruto amadureceu... amarelou... apodreceu... e continuamos esperando... esperando... O cheiro já é de coisa morta e podre, e nem mesmo assim percebemos e seguimos pela vida como se nada estivesse acontecendo. E com o fruto, perdemos um tempo precioso, tempo de vida, esse que se vai e não espera por ninguém.

Aqui lembro daquelas pessoas que permanecem por anos e anos em um relacionamento estagnado, que já não traz nada além de uma falsa sensação de segurança e comodidade.

Como saber? Como saber quando é hora de ir, de partir de um emprego, de deixar um casamento, de desligar-se de uma amizade? Como saber se já fizemos tudo o que era possível? Como saber se estamos querendo fugir cedo demais?

Na impossibilidade de nos transformarmos em maçã (eu já tentei... juro que não funciona!), não nos resta outra alternativa a não ser buscarmos reencontrar uma sintonia com a nossa natureza interna. Porque no fundo, lá no fundo de nosso próprio ser, nós sempre sabemos. Sabemos, mas muitas vezes não queremos saber. Saber é assustador demais e muitas vezes vai contra os nossos desejos infantis de satisfação imediata, vai contra a nossa vontade pueril de sermos o centro do mundo, capazes de sustentá-lo exatamente como queremos, na palma de nossas mãos.

Nós não temos controle sobre a natureza, não somos capazes de impedir que uma fruta amadureça, que as relações se transformem, ou que a gente cresça e mude de ideia... Não somos capazes de impedir as mudanças, pois elas são a própria essência da vida.

Ouça, pare de esperar certezas

Assim, se você está em meio a uma situação que vem deixando você infeliz. Não importa se anda querendo fugir, ou se tem medo de partir e acabar fazendo a coisa errada, pare por um momento todo o movimento externo e lembre-se de ouvir a voz de sua alma. Cale todas as vozes que vem de fora. Não ouça ninguém, a não ser a si mesmo.

Você sabe o que é melhor para você, acredite. Não espere que a sua felicidade dependa da decisão de outras pessoas. Tome a sua vida em suas próprias mãos. Imagine que você seja um ser sábio e amoroso, que você esteja olhando para tudo o que vem lhe acontecendo de um lugar protegido, longe do medo.

Coloque um pouco a avalanche de emoções de lado e pergunte-se: “O que seria o mais saudável para mim nessa situação? Qual seria a decisão mais amorosa COMIGO?

Pergunte, e espere. A resposta virá, acredite.

 




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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