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Quer acabar com seus relacionamentos? Crie expectativas!

Patricia Gebrim 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Só amamos quando enxergamos realmente o outro

por Patricia Gebrim

Não importa se estamos falando de relacionamentos familiares, de amizade ou amorosos. Criar expectativas é algo que nos leva do terreno seguro da realidade para o terreno escorregadio e perigoso das fantasias. Acredite, até mesmo o mais promissor dos relacionamentos sofrerá fortes abalos se você escolher esse caminho.

Quando criamos expectativas, inventamos uma pessoa e passamos a exigir que o outro se comporte de acordo com aquela imagem que criamos. De certa forma, agimos como se o outro não existisse, o que indica uma imensa falta de respeito. É sinal de imaturidade, uma espécie de ingenuidade embalada em falta de amor.

Para escapar dessa armadilha, procure exercitar ficar em contato com a realidade. Olhe para o outro e veja exatamente o que o outro é. Não invente ninguém. Veja suas qualidades, mas também enxergue seus defeitos. Aquela pessoa é essa mistura de coisas boas e ruins, como somos todos nós. Não há uma única pessoa neste planeta feita apenas de luz e beleza. Todos nós possuímos arranhões e manchas, e viemos aqui para aprender a curar e transformar tudo isso em amor. Assim, dê ao outro liberdade para existir, para ser quem é.

Aceitar o outro não significa que você tenha que se ferir nos seus espinhos. Dê liberdade a si mesmo para delimitar a distância segura, caso algo no outro o fira. Todos temos o direito de nos afastar daquilo que nos faz mal. Na verdade, uma pessoa saudável sempre fará isso. Cuidará de si mesma. Dará a si mesma amor e proteção.

Podemos continuar amando um porco-espinho, mas não é preciso que o abracemos. E se for para abraçar, talvez seja de bom senso usar luvas e uma roupa mais grossa, ou com certeza você irá se machucar. Entendam, algumas pessoas precisam ser amadas de longe, pois ainda não estão prontas para receber amor sem nos ferir. E tudo bem, se entendemos isso, simplesmente nos afastamos, sem julgar, sem condenar o outro, sem enganarmos a nós mesmos fingindo que o porco-espinho é apenas um coelhinho que esqueceu de passar condicionador.

Um porco-espinho é um porco-espinho!

Claro que com a evolução, com as lições da vida, com mais consciência, pode ser que os espinhos se suavizem, pode ser que o outro ganhe a maciez do coelho, e se isso de fato acontecer, podemos voltar atrás, chegar mais perto e talvez até rolar na grama com o ex-porco-espinho. Mas vale a pena ir com cuidado, testar, sentir o quanto a mudança é real. Sem criar falsas expectativas, repito uma vez mais.

Para finalizar, gostaria de dizer que quando conseguimos abrir mão das expectativas, nos tornamos capazes de ativar em nós mesmos uma das mais belas qualidades do ser humano: a compaixão. Só podemos dizer que amamos de fato uma pessoa quando a enxergamos exatamente como é.

Todo o resto são ilusões e autoengano.

 




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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