Medicina ayurveda: remédios naturais para a memória

por Gilberto Coutinho 

“Alimentação saudável (nutritiva e bem balanceada), associada à atividade física regular e moderada, assim como hábito de dormir bem à noite (sono tranquilo e uma quantidade de hora suficiente), fazem muito bem à saúde e à memória”

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Brahmi ou Manduka parni (Hydrocotyle asiatica): Brahmi (aquele que confere o conhecimento de Brahman, o Absoluto ou a “Suprema realidade”) e Manduka parni (aquele que tem a forma de sapo).  Possivelmente, um dos mais importantes tônicos do sistema nervoso utilizados pela Medicina Ayurveda, pois revitaliza as células cerebrais, melhora a memória e auxilia na concentração.

 O Brahmi colhido na região dos Himalaias é um dos alimentos mais importantes para os yogues, por favorecer a meditação. Um bocado de folhas frescas de Brahmi é comido diariamente para revitalizar a mente, também acalma o coração e ajuda a combater o ataque cardíaco.

Centela ou Gotu Kola (Centella asiatica): da família da Umbelliferae. Na Índia, a centela já era utilizada pela Medicina Ayurveda há mais de 3.000 anos como tônico do cérebro (o que beneficia a memória), dos nervos e das glândulas endócrinas e no tratamento de lesões cutâneas. Há registros de que ela também era utilizada com os mesmos fins terapêuticos na África e nas Ilhas do Oceano Índico. Graças aos estudos etnofarmacológicos, hoje, sabe-se que um de seus princípios ativos, o asiaticosídeo apresenta ação antibiótica e age como cicatrizante de feridas na pele. Ação: tônica e estimulante do sistema nervoso, febrífuga e diurética. Indicações: desordens nervosas, epilepsia, senilidade, envelhecimento prematuro, queda de cabelo, afecções crônicas e agudas da pele, doenças venéreas. A Centela é da mesma família da Hydrocotyle asiatica (conhecida na Índia como Brahmi), frequentemente utilizada no Ocidente como substituto da Brahmi, por apresentar propriedades terapêuticas bastante semelhantes.                

Alecrim (Rosmarinus officinalis): família Labiatae. Desde a antiguidade, os gregos e romanos apreciavam suas propriedades terapêuticas, entre as quais a de desenvolver a memória. É tônico da circulação sanguínea e do sistema nervoso. Apresenta propriedades capazes de combater os radicais livres e inibir a hepatite tóxica. O alecrim é indicado nos casos de esgotamento nervoso, estresse, excesso de preocupações e trabalho, e depressão moderada. Doses elevadas podem provocar irritações gastrintestinais e nefrite (inflamação dos rins). 

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Ginkgo (Ginkgo biloba): da família das ginkgoáceas (ancestral do carvalho), o Ginkgo já era utilizado como planta medicinal na China há cerca de 2800 anos a.C.. Apresenta ação preventiva e curativa contra as agressões endógenas e exógenas, tais como o estresse e a oxidação causada pelos radicais livres; ação anti-inflamatória e de prevenção do envelhecimento. Ativa a circulação sanguínea (o que contribui para melhorar a irrigação no cérebro, devido a uma ação vasodilatadora das artérias cerebrais) e o metabolismo energético das células, aumentando o consumo de glicose e oxigênio, contribuindo para o aumento da síntese de ATP (trifosfato de adenosina, composto rico em energia).

Sálvia (Salvia officinalis): apresenta propriedades tônicas, estimulantes e antioxidantes, o que auxilia no combate do envelhecimento e da perda da memória. Talvez, por essa razão, a sálvia seja utilizada no combate dos sintomas da doença de Alzheimer e da demência senil. No entanto, doses elevadas devem ser evitadas, pois podem causar bradicardia, serem tóxicas para o sistema nervoso e reduzir a secreção láctea.

Lecitina de Soja: composto orgânico encontrado em alguns alimentos, sendo a soja uma de suas mais ricas fontes naturais. O organismo humano utiliza a lecitina para construir grande parte dos tecidos nervosos e cerebrais, e também para produzir eletricidade. Cerda de 1/3 do cérebro humano é formado de lecitina, assim como um 1/5 dos nervos. Sua deficiência pode provocar uma exaustão dos nervos, sendo seu consumo recomendado como tônico nervoso. A lecitina também dissolve e controla o colesterol, pois o converte em energia, evitando que ele se acumule no organismo (interior dos vasos sanguíneos) e se torne prejudicial. É um ótimo tônico nervoso; beneficia a memória, a pele e o fígado; previne e auxilia no combate do acúmulo de gorduras no corpo (estimulando o metabolismo das gorduras), da arteriosclerose, esteatose hepática (infiltração gordurosa) e das varizes.   
 
Alimentação saudável (nutritiva e bem balanceada), associada à atividade física regular e moderada, assim como hábito de dormir bem à noite (sono tranquilo e uma quantidade de hora suficiente), fazem muito bem à saúde e à memória. 

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A automedicação é um hábito muito perigoso. Segundo a “Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)”, estima-se que, no Brasil, essa prática seja responsável por cerca de 30% dos casos de intoxicação. Além desse problema, utilizar medicamentos por conta própria pode causar dependência, efeitos colaterais graves, reações alérgicas e até morte. É necessário combater a automedicação e somente fazer uso de remédios ou medicamentos sob a orientação e a prescrição de um profissional qualificado da área de saúde, após uma minuciosa avaliação clínica. Nenhum medicamento deve ser tomado de forma prolongada sem a prescrição e acompanhamento terapêutico. 

Chá estimulante para a memória

Ingredientes

1 colher cheia das de sopa de Centella asiatica (em pedaços pequenos);
1 colher rasa das de sopa de Rosmarinus officinalis;
1 colher cheia das de sopa de Ginkgo biloba (em pedaços pequenos);
1 colher cheia das de sopa de Salvia officinalis (em pedaços pequenos);
1 xícara de água.

Modo de preparar (infusão)

Ferver uma xícara de água numa vasilha pequena. Quando a água estiver em ebulição, apagar o fogo, adicionar os ingredientes e mexer com uma colher. Tampar a vasilha com um pires e adicionar sobre ele de duas a três pedras de gelo. O resfriamento do pires faz com que o vapor contendo princípios terapêuticos (alcaloides) se condense e os princípios ativos retornem ao chá. Esperar por um tempo médio de dez minutos. Quando o chá adquirir a temperatura ideal (de quente a morna), coar e tomar (pode ser adoçado com mel de abelhas, uma colher das de sobremesa). No período de intenso trabalho e estudo, tomar uma xícara desse chá duas vezes ao dia, pela manhã e tarde.