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Psicóloga analisa comportamento das pessoas no espaço público

Regina Wielenska 01/01/2016 PSICOLOGIA

por Regina Wielenska

Muita gente vai viajar ou passear neste feriado de Carnaval. Praia, acampamento, passeios, trilhas, sambódromo, blocos de rua, opção é que não falta. O que me impressiona é a quantidade de lixo largado em todo canto ao final da folia. Também há cheiro de urina no ambiente onde muitos circulam, mesmo quando a organização disponibiliza banheiros químicos.

As pessoas ainda não entenderam que a Terra é um sistema fechado, cada descarte indevido acaba por prejudicar o local onde vivemos, aqui ou acolá. Parece natural urinar num muro de uma escola, mas quem o faz provavelmente não urinaria no muro de sua casa. O morador de uma casa ficaria bravo se alguém entupisse com entulho o bueiro na frente de sua casa.

Uma das razões desse comportamento, aparentemente incoerente, dá para ser entendida pela ciência do comportamento. Na verdade, as pessoas costumam escolher a alternativa cujo esforço seja menor: urinar na esquina próxima exige menos esforço do que procurar um banheiro químico e ficar na fila. E as consequências adversas (mancha na pedra, jardim ressecado, odor desagradável que será removido à custa de muito esforço) não atingirão de imediato a pessoa e assim ela é estimulada a fazer o que for imediatamente satisfatório. Quem tomou uma cerveja não quer carregar a lata vazia até que encontre uma lata de lixo, jogar na sarjeta parece razoável.

Um segundo aspecto a se considerar: não costuma haver sanção social ou legal para quem deposita dejetos indevidamente. Na hora da diversão estamos desconectados disso. A situação é parecida com a questão do cinto de segurança nos veículos. Sem controle legal, ninguém usava. Com pressão legal e campanhas na mídia, melhorou bem a taxa de usuários aderentes ao cinto.

No dia 2 de fevereiro houve também a linda festa de Iemanjá, a entidade dos mares. Reza a tradição que os fiéis façam oferendas em barquinhos ou diretamente no mar. Espelhos, vidros, de perfume, batons e assemelhados acompanham flores e pedidos. Eu me pergunto, seria possível agradar à amada entidade espiritual e escolher itens menos danosos ao ambiente? Acho que até a Senhora dos Mares ficaria feliz com esse zelo pelas águas onde reina majestosa.




Regina Wielenska

É psicoterapeuta na abordagem analítico-comportamental na cidade de São Paulo. Graduada em Psicologia pela PUC-SP em 1981, é Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela IP-USP. Atua como terapeuta e supervisora clínica, é também professora-convidada em cursos de Especialização e Aprimoramento. Publicou dezenas de artigos científicos, e de divulgação científica, além de ser coautora de livros infanto-juvenis.



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