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Não consigo me separar, pois não admito o fracasso do meu casamento

Anette Lewin 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Anette Lewin

"Há 19 anos, não vivo bem com meu marido, mas também não consigo me separar, porque não consigo admitir que meu casamento acabou. Preciso tomar uma decisão entre continuar a sofrer ou poder ter tranquilidade. Será que isto é insegurança?"

Resposta: Um casamento, a meu ver, só termina quando existe uma separação formal. O fato da dinâmica, da forma ou dos sentimentos envolvidos no casamento se transformarem não determina, necessariamente, seu final. Aliás, qualquer pessoa realista sabe que ninguém viverá no casamento o eterno romantismo dos contos de fada... Portanto, o seu casamento ainda não terminou uma vez que vocês vivem juntos e dividem alem de um teto, algum sentimento. Nem que seja no silêncio ou no grito. Se a decisão de romper formalmente essa relação está nas suas mãos e você está em dúvida, algumas reflexões se fazem necessárias.

Viver mal com alguém por 19 anos... será que existe esse grau de submissão? Será que você só sofreu nesse tempo todo?

Aliás, o que define um bom ou um mau casamento? Certamente a qualidade de uma relação não depende apenas do acaso ou do destino, não é?

Quando alguém se casa tem algumas expectativas que podem se concretizar ou não dependendo do empenho dos envolvidos. Certamente quem entende que casamento exige abrir mão de parte da individualidade e pratica regularmente esse exercício de generosidade se sai melhor. Por outro lado, quem sabe apenas brigar por si, mas não percebe que o outro também tem expectativas se sai pior.

Se você ficou 19 anos com alguém, certamente ganhou alguma coisa com isso. O que foi? Estabilidade? Filhos? Companhia? Status? Bons momentos? Enfim, pense no que realmente fez você ficar ao lado dessa pessoa.

Chegando no presente: e agora? O que você ganha e o que perde nessa relação?

É o resultado dessa comparação que poderá ajudá-la a tomar sua decisão. Todo mundo fica inseguro frente a uma decisão, mas em algum momento a balança passa a pender mais para um dos lados.

Deslocando-se para o futuro: você já avaliou como será viver sozinha?

Pensou que essa tranquilidade que você quer também terá que ser conquistada?

Tem condições materiais e afetivas para isso?

Tem como se ocupar?

Saberá lidar com um novo casamento de seu parceiro, se isso ocorrer?

Tem planos para uma nova vida de solteira?

Conseguirá lidar com um novo parceiro amoroso sem repetir os vícios do antigo casamento?

Bem, se depois de avaliar tudo isso, você realmente achar melhor a separação, enfrente-a. Mas de cabeça erguida. Não adianta levar essa tendência ao sofrimento junto com você! Quem tem em suas mãos o poder de decisão não é vitima. É livre.

Se resolver dar continuidade a esse casamento, esteja ele como estiver, lembre-se que mesmo casada, sua vida pessoal continua existindo. Invista nela, como teria que fazer estando separada. Tente aprender coisas novas, conhecer novos grupos, outras pessoas, enfim renovar-se. Essa atitude pode até, por mais impossivel que isso pareça, melhorar sua relação conjugal.

 

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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