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Como lidar com a síndrome de abstinência de cocaína e crack

Danilo Baltieri 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Danilo Baltieri

"Tenho um filho que é dependente químico há 15 anos, começou usando maconha e hoje usa cocaína e crack, faz acompanhamento psiquiátrico há 14 anos e não se ajuda, mas aceita os internamentos e toma a medicação, rouba tudo dentro de casa. Estou desesperada, não sei o que fazer já se internou 18 vezes"

Resposta: Casos difíceis são bastante comuns e desafiantes em toda a área médica. E a Síndrome de Dependência de Cocaína/Crack não é diferente. Apesar das perdas e prejuízos sociais, familiares, laborais evidentes relacionados ao consumo da cocaína, o dependente muitas vezes não consegue lidar adequadamente com a intensa fissura pela substância, o que o leva imediatamente à busca pela droga.

Pelo visto, o seu filho foi internado dezenas de vezes, sem grande sucesso. As internações em hospitais psiquiátricos, hospitais gerais e comunidades terapêuticas são uma das formas de tratamento, mas não são as únicas.

Além disso, como a Síndrome de Dependência de Cocaína/Crack é uma doença crônica, o paciente deverá estar inserido em alguma forma de tratamento durante tempo bastante prolongado.

Na verdade, os pacientes devem continuar se tratando, sejam em ambulatórios especializados, grupos de mútua ajuda, hospitais-dia, centros de atenção psicossocial (CAPS-AD), após as internações.

Mais ainda, sendo a internação uma das formas de tratamento preconizadas, existem várias diferentes modalidades de internação e indicações específicas para este tipo de tratamento. A internação não deve funcionar como uma espécie de “descanso” para a família, porque o dependente que freqüentemente causa problemas para todos, ficará “fora” por um tempo. Nem tampouco, a internação pode ser feita sem adequada supervisão e recomendação médica especializada.

O seu filho precisa ser rigorosamente avaliado por médico especialista em dependências químicas, afim de que o diagnóstico e, conseqüentemente, uma conduta terapêutica sejam adequadamente estabelecidos. Desta forma, este insucesso crônico dos tratamentos até então propostos para ele poderá ser efetivamente averiguado.

Muitas vezes, durante internações, os familiares acabam não sendo adequadamente inseridos no tratamento e não recebendo adequadas orientações sobre quais as melhores formas de manejo do familiar problemático. Isso é um grave problema de algumas das formas de ajuda propostas.

Existem vários serviços destinados ao tratamento de dependentes químicos espalhados pelo país. Recomendo, inicialmente, uma consulta a um profissional médico especializado em dependências químicas, como freqüentemente existem nos Centros de Atenção Psico-Social (CAPS-AD). Uma avaliação do seu filho poderá determinar qual a melhor forma de tratamento.

Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

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Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. O psiquiatra Dr. Danilo Baltieri responderá questões ligadas à dependência química e vícios: drogas, álcool, cigarro e psicotrópicos. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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