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Atividade física regular diminui sintomas de ansiedade e depressão

Ricardo Arida 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Ricardo Arida

Os transtornos de ansiedade constituem um importante problema de saúde pública.

A atividade física tem sido considerada uma boa estratégia como tratamento complementar para a redução da ansiedade.

Estudos epidemiológicos demonstram que atividade física regular por um período de três meses pode diminuir a gravidade dos sintomas de ansiedade e depressão, reduzir o risco de doenças neurodegenerativas, como por exemplo Alzheimer, Parkinson,  Epilepsia e melhorar as funções cognitivas. O efeito da atividade varia para cada indivíduo e pela gravidade dos sintomas, mas em muitas pessoas esse efeito pode ser observado até antes de três meses.  

Os efeitos ansiolíticos e antidepressivos do exercício dependem da duração, forma e intensidade do exercício. Portanto, mais pesquisas são necessárias para melhor elucidar os efeitos do exercício físico sobre esses comportamentos emocionais.

Enquanto evidências mostram que o exercício físico promove a saúde do cérebro, pouco se sabe como a redução da atividade física, após exercício físico regular, afeta seu funcionamento. Portanto, a partir de uma perspectiva diferente, podemos compreender como a interrupção da atividade física pode afetar esses comportamentos emocionais e consequentemente as funções cerebrais.

Um estudo publicado recentemente, investigou se a interrupção da atividade física altera comportamentos de ansiedade e depressão, assim como seu impacto na formação de novos neurônios em ratos (1).

Animais foram submetidos à corrida em roda por oito semanas e avaliados depois de oito semanas da interrupção do treinamento físico. O estudo mostrou que a interrupção do exercício por oito semanas aumentou o comportamento de ansiedade dos ratos quando comparados com animais que continuaram a treinar. Além disso, a interrupção prolongada do exercício diminuiu a sobrevivência celular do hipocampo para níveis equivalentes de rato sedentários.

Os achados desse estudo, juntamente com os de estudos anteriores da literatura demonstrando os efeitos ansiolíticos e antidepressivos do exercício, reforçam a noção de que os comportamentos emocionais em roedores são dependentes de atividade.

Portanto, a atividade física exerce um papel importante para alcançar estados emocionais positivos e sua redução pode contribuir para um maior risco desses transtornos.

1- Nishijima T, Llorens-Martín M, Tejeda GS, Inoue K, Yamamura Y, Soya H, Trejo JL, Torres-Alemán I. Cessation of voluntary wheel running increases anxiety-like behavior and impairs adult hippocampal neurogenesis in mice. Behav Brain Res. 2013;245C:34-41.




Ricardo Arida

Possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1995), doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1999) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford-UK. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Neurociências e Fisiologia do Exercício Mais informações: www.ricardoarida.wordpress.com



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