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Quem trabalha além da conta está mais sujeito a beber em excesso?

Danilo Baltieri 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Danilo Baltieri

Resposta: O consumo de bebidas alcoólicas em níveis de risco tem sido definido como aquele uso em que consequências adversas surgiriam com maior probabilidade, tais como doenças do fígado, câncer, doenças coronarianas, acidente vascular cerebral, transtornos mentais, comportamento violento, acidentes de trânsito, dificuldade para manter o emprego, exclusão do mercado de trabalho.

Seguramente, como se pode ver, são muitas e diversificadas as consequências deletérias do uso de bebidas alcoólicas e a variabilidade individual é bastante acentuada.

Durante estudos científicos, é comum a definição do beber arriscado como aquele em que um homem faz uso de * 294 gramas de álcool por semana ou mais, ou em que uma mulher faz uso de 196 gramas de álcool por semana ou mais. No entanto, apesar deste critério ser utilizado em diversos estudos científicos ao redor do mundo, não existe uma quantidade de álcool definida peremptoriamente como segura, tendo em vista a vasta e notória variabilidade individual.

Vários estudos têm também associado longas horas de trabalho (acima daquelas permitidas por lei, ou seja, 35-40 horas por dia) com consequências adversas à saúde, como depressão e ansiedade, doenças cardiovasculares, maior chance de acidentes no trabalho, prejuízo do sono, aumento do consumo de bebidas alcoólicas, dentre outras.

De fato, um estudo recentemente publicado na prestigiada revista British Medical Journal, que analisou outros 61 estudos, revelou um aumento do risco do beber arriscado entre aqueles que trabalham mais do que 40 horas por dia. Os autores deste estudo controlaram esta relação 'horas de trabalho' - 'beber arriscado' com outras variáveis potencialmente relacionadas, como idade, sexo, status socioeconômico e raça. Os sujeitos incluídos em todos estes estudos não poderiam ter um padrão arriscado de consumo de bebidas anteriormente ao início do trabalho com horas excessivas.

Apesar deste relacionamento, este estudo atual não controlou variáveis como aspectos da personalidade, sintomas depressivos e ansiosos prévios e atuais, tipo de trabalho, aspectos genéticos, dentre outras, o que pode prejudicar potencialmente os resultados definitivos.

De qualquer forma, várias evidências demonstram que horas excessivas de trabalho prejudicam o funcionamento social, familiar e de saúde do trabalhador. Pessoas que trabalham excessivamente são aconselhadas a rever seu papel e seu comportamento, sempre objetivando uma melhor qualidade de vida familiar, social e também profissional. Também, é importante notar que várias empresas ao redor do mundo têm envidado esforços no sentido de oferecer ambientes melhores aos seus funcionários, estimulando atividades físicas, relaxamento, opções de lazer, acolhimento aos familiares, objetivando melhorar a qualidade de vida de cada um e, consequentemente, a produtividade.

* 294 gramas de álcool equivaleria aproximadamente a 21 latas de cerveja com 5% de álcool ou 905 ml de algum destilado com 50% de álcool e para as mulheres 14 latas de cerveja e 603 ml de destilado.

 

 

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Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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