DESTAQUES

Vigiar o parceiro nas redes sociais pode acabar até com casamento

Tatiana Ades 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Tatiana Ades


 O estudo "Vigilância no Facebook" de antigos parceiros realizado na Universidade de Brunel (Londres), indica que vigiar ex-namorado no Facebook leva ao aumento da angústia e ansiedade.  

Agora, imagine as consequências de *stalkear o namorado (a) ou o marido (esposa)?

Relacionamento amoroso: mau uso das redes sociais

A forma como parte das pessoas usa as redes sociais vem provocado brigas e até separações entre casais. Em consultório, uma das principais queixas dos pacientes está vinculada ao uso que se faz dessas redes. O motivo é o ciúme decorrente de postagens e de novos contatos feitos pelo companheiro.

Ana Amelia (nome fictício) me conta que  passa cerca de seis horas por dia no Facebook vigiando o perfil do namorado. Ela observa tudo: quais postagens ele “curte “, quais pessoas entraram pra sua rede de amigos, quantas mulheres falam com ele, de que forma falam e se ele responde ou não a elas.

Sua insegurança chegou ao ponto de ficar conectada à página do namorado até mesmo no trabalho, perdendo o foco de suas tarefas como secretária. As discussões com seu parceiro são diárias e ele chegou a cancelar o perfil várias vezes e voltou, pois ela assim lhe exigiu, argumentando que ele poderia criar um fake para enganá-la.

Eduardo (nome ficiticio) também chega no consultório eufórico e exclama:

- Consegui as senhas ... as senhas do Facebook e de outras redes sociais dela!

Ele me conta que passou a noite digitando senhas até sentir o prazer de ter acesso ao mundo secreto da namorada, ler mensagens pessoais e verificar com que amigos ela conversava em segredo. Ele não encontrou nenhum sinal de traição, mas está tão obcecado com a possibilidade de vigiá-la virtualmente, que não consegue parar; diz que algum dia achará uma pista.

Amélia (nome ficiticio) terminou um casamento por causa do Facebook. Ela começou a mandar mensagens para as mulheres da lista de contato do marido, chamando-as de nomes vulgares e pedindo para ficarem longe dele. Além disso, criou um perfil fake para testar a fidelidade do marido, seduzindo-o e enviando mensagens eróticas e provocadoras. E no dia em que ele aceitou receber uma foto da desconhecida e se mostrou mais aberto e simpático, ela diz que sentiu ciúme do próprio fake e esperou ele chegar em casa para iniciar mais uma briga violenta. Mas dessa vez ele não suportou e foi embora de casa.

Cada vez mais a sociedade se transforma numa espécie de stalker virtual. Muito próxima ao objeto amado, tem a possibilidade de espioná-lo.

A brincadeira de estar numa espécie de reality show cibernético transforma as pessoas em seres muito mais desconfiados, ciumentos e bisbilhoteiros. As possibilidades de traição aumentam com a internet, por isso a desconfiança também.

Mas... confiança é incondicional, independe de época e de valores sociais. Deveríamos aprender a exercitar mais esse canal tão fechado.

Esperto que tenham “curtido’ o artigo e que compartilhem.

* Stalkear: obsessão em perseguir a vitima sem parar, seguindo, telefonando, enviando mensagens, etc.

 




Tatiana Ades

É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.



ENQUETE

É possível ser você mesmo no ambiente de trabalho?






VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2019
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.