Crises nervosas desencadeiam automutilação. O que fazer?

por Joel Rennó Jr.

Tenho uma filha de 15 anos que às vezes tem umas crises nervosas e começa a cortar os pulsos. Isso sempre depois de ter sofrido alguma decepção amorosa, pois é apaixonada por um menino que nem dá bola pra ela. Já tentou suicídio três vezes tomando uma grande quantidade de remédios e veneno de rato. Ela tem autoestima baixa. O que pode está acontecendo?

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Resposta: A automutilação é um comportamento que pode fazer parte de vários distúrbios mentais.

Muitos jovens e adultos jovens praticam a automutilação quando se sentem angustiados, com sensação de vazio, deprimidos ou mesmo irritados perante situações geradas por frustração ou cobrança. Paradoxalmente, alguns automutiladores relatam alívio após se cortarem, há até relatos de prazer. A percepção da dor parece estar alterada em alguns automutiladores.

A menina de 15 anos tentou o suicídio cerca de três vezes de forma grave. Não se trata apenas de uma "crise de adolescência" ou de baixa autoestima. Ela precisa ser cuidadosamente avaliada por um psiquiatra competente. Depressão, transtorno bipolar do humor e transtorno de personalidade borderline (todos já descritos em outros artigos do Vya Estelar – clique aqui e leia) podem levar a comportamentos de automutilação ou autoflagelação – conforme a mãe descreve.

Geralmente, as pessoas que se automutilam apresentam baixo limiar à frustração, oscilações de humor, sentimento de vazio, perda da identidade do "eu". São muito vulneráveis às críticas de terceiros. Buscam um alívio imediato de um desconforto ou sofrimento intensos.

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Há medicamentos que ajudam no controle dos sintomas como estabilizadores de humor, antidepressivos e antipsicóticos. A psicoterapia de enfoque cognitivo-comportamental ou interpessoal é importante também. O tratamento deve ser por um tempo prolongado, alguns por toda a vida da pessoa. Não há cura e sim melhora do sofrimento, dos sintomas, da funcionalidade e da qualidade de vida.

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento.

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