DESTAQUES

Síndrome de otelo tem cura?

Anette Lewin 19/05/2017 PSICOLOGIA
Síndrome de otelo tem cura?
Fonte: imagem Pixabay
Fidelidade não se prova por argumentos, mas sim por atitude

por Anette Lewin

Resposta: Síndrome de Otelo - definição: "ciúme patológico; ideia persistente de que o parceiro tem outros relacionamentos".

O ciúme patológico, portanto, não passa de um comportamento obsessivo onde o foco é a traição do parceiro.

Tem cura? É possível tratar? Bem, depende de uma série de fatores, da personalidade dos envolvidos, da vontade de mudar comportamentos, da maturidade do casal.

Comecemos a reflexão observando que sempre há um quê de subjetividade no entendimento da traição. Se entendermos traição da forma clássica, ou seja , uma pessoa casada manter um envolvimento e relações sexuais com outra que não seu cônjuge, podemos dizer que o ciúme desvinculado da comprovação da traição pode ser classificado como patológico.

Se, porém, entendermos a traição ou o ciúme de uma forma mais ampla, talvez encontremos um fundamento nas reações de ciúme ditas exageradas. Explico: a pessoa que sente um ciúme exagerado pode estar partindo de uma sensação subjetiva de falta de atenção, falta de afeto, falta de cuidado e concluir que já que o cônjuge não lhe proporciona essas sensações, deve estar proporcionando a outra pessoa. Nesse caso o erro estaria na reação da pessoa e não em seu sentimento. Afinal, não se pode considerar patológica a sensação de falta de afeto se ela realmente existe. O erro está em concluir que alguma pessoa está roubando o afeto que deveria ser seu e tentar descobrir quem é essa pessoa. Como se descobrindo pudesse resgatar o afeto do qual sente falta...

Dentro dessa linha de raciocínio podemos dizer que é muito difícil encontrarmos ciúme exagerado de um dos cônjuges em casamentos equilibrados: casamentos onde os parceiros se respeitam, tentam entender as necessidades do outro, têm uma visão amadurecida do que é um relacionamento a dois, sabem abrir mão de seus desejos quando é necessário.

Dessa forma, quando há um ciume exagerado por parte de um dos cônjuges, quase nunca só um é o culpado ou o louco. Em geral, há uma frustração mútua onde um mantém o comportamento ciumento do outro através de suas atitudes. Explico: se a mulher suspeita que o marido a trai e ele começa a explicar-se infinitamente, poderá estar passando a impressão de que está mentindo. Afinal, quem está com a consciência tranquila, não precisa ficar explicando detalhes. Mesmo que seja provocado. Quem é amadurecido o suficiente para entender que inseguranças ocasionais existem em qualquer relação, simplesmente espera o momento de insegurança do cônjuge passar e retoma o contato num momento mais propício. Quem não tem essa maturidade, pode cair na cilada e alimentar uma relação patológica.

Isso para dizer que o ciúme patológico em geral faz parte de um relacionamento patológico, onde ao invés do casal tentar suprir suas necessidades afetivas e construir vivências onde se sintam cúmplices, acaba desperdiçando seu tempo tentando usar a lógica para provar fidelidade. Ora, fidelidade não se prova por argumentos, mas sim por atitude!

Voltando à pergunta feita no início da reflexão: síndrome de Otelo tem cura?

Primeiramente, deve-se entender se o problema está na pessoa "ciumenta" ou na relação como um todo. Se o problema for a pessoa, uma terapia individual juntamente com medicação, em alguns casos, pode ajudar a melhorar a autoestima e ajudar a pessoa a tirar o foco do cônjuge e voltá-lo para atividades produtivas. Se o problema estiver no relacionamento, será mais indicada uma terapia de casal. Nela os envolvidos poderão entender melhor a dinâmica de seu relacionamento, as frustrações de cada um e reorganizar a relação de uma forma mais saudável.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um psicólogo e não se caracteriza como sendo um atendimento.

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

ENVIAR PERGUNTA



TAGS :

    síndrome, otelo, ciúme, patológico, amor, passional

Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



ENQUETE

É possível ser você mesmo no ambiente de trabalho?






VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2019
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.