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Afinal, o que é real?

Dulce Magalhães 21/08/2017 AUTOCONHECIMENTO
Afinal, o que é real?
Fonte: imagem Pixabay
Somos o que nossas crenças nos permitem ser

por Dulce Magalhães   

Será que nosso cérebro nos engana sobre a realidade que pensamos ver?

Será que podemos enganar nosso cérebro sobre a realidade possível?

Segundo a neurociência, a resposta para as duas perguntas é SIM. Isso significa que o real e o fictício se confundem a tal ponto que nossas certezas sobre a vida e o mundo estão cada vez mais incertas.

O cérebro pode ser enganado e pode enganar. Se você pensar em morder um limão, vai sentir água na boca, mesmo sendo apenas sua imaginação em ação. Você também vai sentir tristeza ou alegria ao recuperar memórias de momentos que produziram esses sentimentos. As sensações serão reais, porém frutos da imaginação ou da memória, sem uma ligação imediata com a realidade ao redor. Essa capacidade de abstração, de criação e de sensação sobre algo inexistente, porém passível de existir, é uma grande oportunidade para o gerenciamento de nossa realidade.

Todas essas experiências demonstram que podemos construir cenários mentais para viver e conduzir processos. É por causa desse mecanismo que um técnico pode estimular um atleta a vencer seus limites, que um pai pode instaurar confiança numa criança, que um professor pode abrir os limites da consciência e permitir ao aluno compreender novos conhecimentos. Porém, é pelo mesmo mecanismo que podemos retirar tudo isso de alguém, a fé, a coragem, a confiança, a curiosidade.

Isso significa que somos responsáveis pelo mundo que estamos criando para nós e para as pessoas ao nosso redor. Rupert Sheldrake, um renomado biocientista inglês, apresenta informações impactantes sobre as pesquisas que estão sendo conduzidas ao redor do mundo sobre as interconexões entre a humanidade e todos os seres do planeta. Experiências com relação aos processos telepáticos, a constituição de um inconsciente coletivo que gera realidades mundiais, a relação emocional como meio de comunicação. Enfim, uma série de questões que aparecem na esteira da física quântica que apontam para uma nova compreensão da responsabilidade pessoal e coletiva.

Sócrates e nossas crenças 

Sócrates há 2.500 anos, já afirmava que somos o que nossas crenças nos permitem ser. O que é novo, é a ciência conseguir provar, mesmo aos mais céticos, como essa premissa não só é verdadeira, mas pode modificar o rumo da história ao ser bem compreendida. Estamos vivendo numa imensa teia de relações e sensações. Nossa contribuição individual ao sistema tem efeitos incalculáveis, tanto para o bem quanto para o mal. Essa é a base da Teoria do Caos, pequenas distorções podem provocar enormes diferenças. O que nos resta para refletir, é como estamos contribuindo para a construção da ordem vigente.

Cada um de nós alimenta ao grande sistema planetário com emoções, ideias, sentidos, desejos e ações. Cada uma dessas contribuições individuais gera uma nova ordem, cria um estado especial de fazer o mundo. Ou seja, o exercício de nossa existência muda a realidade. Entretanto, o mais importante de tudo isso é que nossa consciência aprimorada e nossa ação responsável muda essa realidade para melhor.

Parece um tanto simplista pensar que podemos transformar o mundo todo a partir de nossa própria mudança, porém a ciência tem mostrado resultados incríveis sobre essa potencial oportunidade. Por via das dúvidas, o melhor é se investir dessa responsabilidade e começar a trabalhar por uma realidade melhor do que a que conhecemos, porque a que estamos vivenciando está longe de ser o melhor dos mundos. Vamos escolher, portanto, um mundo melhor que esse.

Toda escolha começa na mente. Não estaremos escolhendo o estresse, a depressão, a violência, o trânsito caótico, os excessos, como processos de vida?

Nossos desejos podem até apontar para outra direção, mas nossa realidade nos mostra que o caminho que estamos tomando não é o melhor para a trajetória humana. Eu e você somos responsáveis pelo futuro da vida. Não apenas parcialmente responsáveis, mas totalmente responsáveis, pois somos a própria manifestação da vida. E a forma como ela se manifesta molda a realidade. Nossa manifestação precisa ser mais solidária, mais humana, mais generosa, para que a vida nos dê isso em retorno.




TAGS :

    cérebro, realidade, crenças, neurociência, filosofia

Dulce Magalhães

Ph.D. em Filosofia com foco em Planejamento de Carreira pela Universidade Columbia (USA); Mestre em Comunicação Empresarial pela Universidade de Londres (Inglaterra); autora dos livros: O foco define a sorte; Manual da Disciplina para Indisciplinados; Superdicas para Administrar o Tempo e Aproveitar Melhor a Vida. Especialização em Educação de Adultos pelas Universidades de Roma (Itália) e Oxford (Inglaterra).



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