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Como a psicologia enxerga a propagação da espécie

Luiz Alberto Py 01/01/2016 PSICOLOGIA

por Luiz Alberto Py

A Psicologia Evolucionista, uma nova área de investigação científica, tem trazido informações interessantes sobre a origem dos sentimentos humanos. À luz do evolucionismo darwinista, examinam-se as emoções, as inclinações, a ética e a moralidade humana. Os cientistas que pesquisam este novo domínio têm desenvolvido hipóteses de trabalho que vêm sendo gradativamente confirmadas através da observação do comportamento dos animais e também dos seres humanos.

O ponto de partida destas hipóteses se origina na formulação feita pelo biólogo Charles Darwin (1809-1882) de que os seres vivos evoluem de acordo com a regra da sobrevivência dos mais aptos. Se isto é mais do que comprovado no que diz respeito às características físicas das mais diferentes espécies, inclusive os humanos, atualmente se investiga até que ponto as características comportamentais e psíquicas - emocionais e morais - também se transmitem de acordo com a afirmativa darwiniana.

Basicamente, supõe-se que os indivíduos mais fortes, inteligentes e saudáveis têm melhores probabilidades de procriar e de zelar pela saúde e sobrevivência de sua prole. Ao longo das gerações, todas as características genéticas que favorecem a força, a saúde e a inteligência predominarão, por natural seleção (sendo transmitidas geneticamente aos descendentes), invariavelmente causando um progressivo aprimoramento destas qualidades.

A psicologia e a propagação da espécie humana

Porém, quando os cientistas começaram a se perguntar quais eram as características psicológicas masculinas e femininas favoráveis à propagação da espécie humana, começaram a se defrontar com elementos bastante interessantes. Para começar, homens e mulheres apresentam modos de se comportarem completamente diversos em situações de relacionamento afetivo. Acredita-se que este fato se deve à diferença que a procriação representa para cada sexo.

A mulher possui possibilidades bastante limitadas de reprodução em comparação com o homem. Enquanto que um comportamento sexualmente promíscuo masculino pode se refletir num significativo aumento da descendência, a fecundidade feminina pouco depende da multiplicidade de parceiros. Pelo contrário, ficando fiel a uma única relação, não apenas suas possibilidades de procriação aumentam como também passa a contar com a colaboração masculina para o cuidado com seus filhos.

Vale lembrar que estamos falando de comportamentos adquiridos através de seleção natural, ou seja, as pessoas que se comportaram de tal ou qual maneira aumentando a quantidade de seus descendentes, deram origem a uma estirpe que apresenta, em função de uma genética específica herdada dos ancestrais, as características psicológicas de seus antepassados. Quando falamos de uma genética específica estamos nos referindo ao conjunto de genes que determinariam características de comportamento e de funcionamento emocional.

Um outro conceito extremamente importante é o de investimento nos filhos. Especialmente na espécie humana, cujos filhos são absolutamente dependentes para a sobrevivência durante um longo período do começo de suas vidas, o desejo e a capacidade de bem cuidar dos filhos é fundamental para a sobrevivência dos mesmos. Portanto, quanto mais aptos foram os pais para cuidar de seus descendentes (que significa um mais alto grau de investimento parental), melhores probabilidades eles tiveram de que esta qualidade fosse transmitida para o futuro. Conclui-se que hoje em dia os seres humanos, todos nós, descendemos de criaturas que foram se especializando na arte de bem cuidar de seus filhos.




Luiz Alberto Py

É médico psiquiatra e psicanalista. Clinica no Rio de Janeiro e faz palestras por todo o Brasil. Publicou em 2002 o best-seller "Olhar acima do horizonte", em 2004: "A felicidade é aqui" e "Saber amar" todos pela editora Rocco. Mais informações: http://doutorpy.blogspot.com



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