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Estudo da USP: brinquedoteca com variedade desestimula locomoção infantil

Redação Vya Estelar 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Meninas optavam mais por ficar sozinhas

Da Redação

Observando crianças em uma brinquedoteca pode-se concluir muito a respeito de suas ações motoras e interações sociais.

As que têm de 4 a 5 anos, por exemplo, preferem manipular brinquedos a se locomover. Em estudo de mestrado realizado na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, a professora de educação física Deise de Oliveira Rezende também verificou diferenças entre o comportamento motor de meninos e meninas e garante que algumas dessas diferenças têm influência social.

A variedade de brinquedos contribuiu para que, em 52,27% do tempo, as crianças se centrassem em manusear objetos, ou seja, realizar ações manipulativas. Deise conta que elas despendem grande parte do tempo optando pelo brinquedo que vão usar. Ela explica que “nessa fase, a criança precisa explorar diversos movimentos”. Sobre atividades que envolvessem locomoção, a pesquisa também apontou que eram mais frequentes no grupo masculino — 41,78% contra 28,57% em meninas.

Deise, que realizou as observações de sua pesquisa no Núcleo de Recreação Infantil (NURI) do Centro de Práticas Esportivas (CEPE) da USP, também analisou quais brinquedos as crianças estavam utilizando. Mesmo que não os tivessem usado em 56% do tempo total, ela afirma que “o brinquedo faz parte da ação”. Os resultados indicaram alto uso de carrinho pelos meninos e bonecas pelas meninas, enquanto o contrário foi mínimo, mas ocorreu. Segundo a pesquisadora, essa divisão de brinquedos entre os gêneros “é muito forte ainda, mas está começando a se modificar. É influência social também. A idade de 4 anos não deveria ter opinião determinante porque ela está em processo de formação, mas, por conta da mídia e da estrutura que os pais dão, isso ainda é muito forte, infelizmente”.

Oservação

A pesquisa foi feita com 42 crianças de 4 a 5 anos do NURI. Orientada por Jorge Alberto de Oliveira, da EEFE com a colaboração de Tizuko Morchida Kishimoto, da Faculdade de Educação (FE) da USP, Deise fez filmagens na brinquedoteca sem que as crianças percebessem. Para sua presença se tornar natural, frequentou as atividades durante duas semanas, antes que começasse a captar as imagens. Cada vídeo de 10 minutos era fracionado em trechos de 30 segundos para o registro dos movimentos.

Esse método de observação e captação de imagens foi importante para que a pesquisa tivesse outras conclusões, já que as crianças estavam livres para optar pelo que queriam. As crianças ficaram sozinhas, em média, 53% do tempo. Porém, a pesquisa mostrou que, quando em dupla, os meninos optam menos por brincarem com uma criança do sexo oposto do que as meninas, já que isso aconteceu em 1% do tempo no grupo masculino e quase 9% no feminino. O estudo também comprova que a formação de grupos de mais de 3 crianças tem maior prevalência no sexo masculino, logo, os meninos interagiam mais.

Deise explica que a pesquisa possibilitou o conhecimento de diversas variáveis do universo infantil. “É possível observar comportamentos de liderança, de introspecção, de afetividade e também agressividade”, conta ela, que recomenda aos professores de educação infantil uma melhor observação dos alunos para compreendê-las, já que “quando você entra em grupo e as observa, seja o comportamento motor até o social, vê como a criança tem adaptabilidade, necessidades, possibilidades e, principalmente, sua organização no brincar”.

A dissertação de mestrado O brincar livre de crianças na brinquedoteca: análise da frequência de ações motoras, tipos de brinquedos, brincadeiras e interações sociais foi defendida em março de 2012 na EEFE, mas divulgada só agora.

Mais informações:

e-mail deiserezende@usp.br, com Deise Rezende

Fonte: Agência USP de Notícias




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