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Psicólogo propõe nova divisão do cérebro para explicar como as pessoas pensam

Edson Toledo 01/01/2016 PSICOLOGIA

por Edson Toledo

Até recentemente, os neurocientistas sugeriam que as diferenças de personalidade poderiam ser explicadas em razão das diferenças de funcionalidade entre os hemisférios esquerdo e direito do cérebro.

Explico, o hemisfério esquerdo abriga duas estruturas cruciais para a produção de linguagem e é popularmente associado à racionalidade e ao comportamento metódico. Já o hemisfério direito teria envolvimento na linguagem, mas em geral não participa de sintaxe gramatical; é popularmente associada à criatividade e ao pensamento livre.

Pois bem, o psicólogo e professor Stephen Kosslyn, com passagens pelas Universidades Harvard e Stanford, nos Estados Unidos, propõe em seu livro "Top Brain, Botton Brain" (Cérebro de Cima, Cérebro de Baixo) um novo esquema para explicar de onde surgem as diferenças entre as pessoas em relação aos seus modos de pensar.

Ele propõe uma mudança de paradigma ao propor um corte "horizontal" no cérebro (dividindo-o entre as partes de cima e de baixo) ao invés de hemisfério esquerdo e direito conforme citado acima.

Segundo Kosslyn, essa divisão seria mais eficaz para mapear diferenças na forma como cada pessoa interage com o mundo.

Com essa nova proposta divisional, em vez de um hemisfério "criativo" contraposto a outro "racional", obtém-se duas áreas com igual capacidade de intuição e raciocínio. Nesse caso, a distinção é que um deles é "executivo/planejamento", enquanto outro é "observador/perceptivo". Kosslyn conjectura que existiriam quatro tipos de pessoas, cada uma exibindo um "modo cognitivo" distinto.

A principal critica que se faz a tradicional divisão lateral do cérebro é que a psicologia experimental falhou em comprovar a existência de um cabo de guerra entre os lados esquerdo e direito do cérebro, com a racionalidade tentanto se sobrepor à intuição e vice-versa.

A vantagem da divisão cerebral entre andar de cima e andar de baixo seria mais flexível e daria origem a quatro subtipos de pessoas, não apenas dois.

Vejamos então como seria esse novo recorte do cérebro:

O andar de cima compreenderia o córtex pré-frontal dorsolateral que é responsável pelo planejamento, tomada de decisão, sequenciamento, foco da atenção, direcionamento de movimentos e o córtex parietal que responde pela localização espacial de objetos, noção de perspectiva, sensação de toque e condução de aritmética.

O andar de baixo compreenderia a parte inferior do córtex frontal, responsável pela emoção e recompensa, córtex temporal, que responde pela memória visual de longo prazo, audição, classificação de informação captada pelos sentidos, compreensão da linguagem e córtex occipital responsável pela visão, detecção de formas e padrões.

Isso posto, como seriam essas quatro maneiras de pensar ou como é a teoria dos modos cognitivos (modos de pensar) de cada pessoa que, segundo a divisão em andar de cima e andar de baixo de Kosslyn, também diz que esses modos cognitivos não têm relação com inteligência nem com saúde mental? A inteligência é a facilidade para resolver problemas difíceis e entender situações complexas, já os modos cognitivos são as diferentes maneiras de interagir com o mundo.

Os quatro modos

Modo preceptor com predominância da parte inferior do cérebro: a ênfase apresenta-se na compreensão de situações; capacidade de observação mais abrangente; facilidade para interpretação de experiências.

Modo estimulador, predominância da parte superior do cérebro: associado à proatividade e ênfase em planejamento; ímpeto criativo e facilidade para romper padrões (não seguida de bom senso de julgamento).

Modo condutor, ambas as partes do sistema em atividade intensa. Com facilidade para programar planos e monitorar seu andamento à medida que são implementados; inclinação para liderança.

Modo adaptador, nenhuma parte do sistema em atividade intensa. Portanto, com tendência a se deixar absorver pela situação e reagir com facilidade ao contexto; objetividade; facilidade para adaptação.

Em seu livro Kosslyn afirma que a contribuição genética que se dá principalmente pelo temperamento, é minoritária e que você não está aprisionado pelos seus genes, mas é bom que esteja ciente de ter certo temperamento e que isso pode estar influenciando-o.

Por fim, ele não exibe sua teoria como trabalho completo; ele ainda busca psicólogos experimentais dispostos a testá-la.

Considerando que Stephen Kosslyn tem prestigio e respeito na comunidade acadêmica, estaria assim contribuindo em ultima análise para desmistificar a maneira como o senso comum aborda a questão, separando as pessoas entre os tipos criativo ou racional, associados ao lado direito e esquerdo do cérebro.




Edson Toledo

Coordenador do serviço de atendimento a pacientes com tricotilomania no PRO-AMITI/IPq FMUSP. Supervisor clínico na UNIP. Psicólogo pela Universidade Metodista. Mestre em ciências pela Faculdade de Medicina da USP. Especialização em Terapia Cognitivo-comportamental pelo Ambulim/IPq FMUSP. Especialização em Psicologia Hospitalar pela UNISA



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