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Psicólogo comenta diálogo sobre demissão

Redação Vya Estelar 01/01/2016 PSICOLOGIA
É necessário reconhecer nossos erros

por Luís César Ebraico

Mônica, a funcionária de minha clínica que já foi protagonista de um de nossos diálogos (clique aqui e leia), tanto aprontou, que acabei optando por demiti-la. 

Foi assim:

LC: —  Mônica, mandei o contador preparar os papéis de sua demissão.

MÔNICA: —  Mas o que é que eu fiz de errado?

LC: —  Nada.
MÔNICA: —  Então por que é que eu estou sendo demitida?

LC: —  Por causa disso.  Todo mundo erra nesta clínica, só você, não. Isso está criando uma série de dificuldades de relacionamento entre membros da equipe e, naturalmente, é mais simples e razoável despedir você do que a todos que normalmente erram, o que, aliás, implicaria despedir também a mim.

Como efeito, ficou impossível trabalhar com a Mônica:  era impossível conseguir que Mônica reconhecesse algum deslize no cumprimento de suas obrigações, sendo que, muitas vezes, ainda tentava transferir a culpa de seus desmandos para outro(s) funcionário(s) ou, até, para mim, o que, de fato, provocaca conflitos desnecessários nas relações entre os membros da equipe.  

Ainda assim, minhas colocações no diálogo acima eram um teste.  Eu não a despediria se, por exemplo, o diálogo tivesse continuado da seguinte forma:

MÔNICA: —  Bem, na verdade, eu também, às vezes, faço algumas coisas erradas.

LC: —  Ah, sim?  Por exemplo?

MÔNICA: —  Bem, eu blá, blá, blá, blá, blá, blá...

Mônica se recusava terminantemente a reconhecer o óbvio:  que ela, como todo mundo, cometia erros.  Frente a tal radical recusa, não tinha sentido perder meu tempo, tentando fazê-la ver os erros que ela cometia e que, não os reconhecendo, não podia tampouco os corrigir.  Ela, como fizera outras vezes, iria levar horas tentando se explicar e provar que estava certa e eu, errado. 

Freud dizia que, se alguém perde seu tempo tentando fazer alguém que se recusa a reconhecer o óbvio a reconhecê-lo, estamos diante de um sonso e de um ótario.  Eu não estava com vontade de fazer o papel de otário.  Foi mais fácil dizer a Mônica que ela estava sendo despedida porque era certa demais.




Redação Vya Estelar



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