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Conversar com o bebê traz efeitos desejáveis ao seu desenvolvimento

Regina Wielenska 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Há quem ache inútil contar ao bebê de seis meses que ele vai provar a sopinha

por Regina Wielenska

A neurociência avança vigorosamente em busca da compreensão de como a linguagem é adquirida pelas crianças. Há muito tempo já se constatou que um bebê inicialmente faz vocalizações cujos sons correspondem aos mais variados fonemas dos idiomas existentes.

Interessante é a descoberta de que, na medida em que o tempo passa, as vocalizações vão se restringindo aos fonemas pertencentes ao idioma em vigor no ambiente no qual a criança está inserida. Isso sinaliza que o contexto social é responsável por moldar a capacidade linguística da criança desde muito cedo.

Outra descoberta interessante: a riqueza do vocabulário de uma criança se correlaciona em direta proporcionalidade com o quanto os adultos conversaram com ela ao longo de seu desenvolvimento. Nesse cálculo estão inclusas as falas dos adultos dirigidas ao bebê, ainda não verbal, quando ele apenas balbucia, enquanto presta uma atenção danada ao mundo que o cerca.

Há quem ache ridículo ou inútil contar ao bebê de seis meses que agora ele vai provar a sopinha de caldo de carne com cenoura ou dizer a uma criança de um ano que no caminho da creche terão que parar no semáforo quando a luz está no vermelho. Os estudos sugerem que essas ou outras interações verbais, mesmo que aparentemente unilaterais, terão efeitos subsequentes bastante desejáveis em termo do desenvolvimento da criança.

O contato pele a pele entre o cuidador e a criança parece igualmente enriquecedor para o desenvolvimento neuronal das crianças e também para a construção do apego entre criança e adulto. Uma das linhas de pesquisa nessa direção derivou-se de estudos nos quais prematuros eram colocados junto ao tronco desnudo do pai ou da mãe e assim passavam seus dias, envoltos em panos que uniam os dois corpos. Esse contato substituía muito bem a incubadora em boa parte dos casos e a recuperação dessas crianças era notável.

Uma indiana, de nome Shantala, ensinou a um médico francês, Frédérick Leboyer, a massagem milenar que aplicava suavemente em seu bebê e os pesquisadores descobriram, por exemplo, uma redução dos níveis de cortisol, um hormônio relacionado ao estresse, nas crianças regularmente massageadas daquele jeito.

Leite é certamente importante, bem como higiene, para um bebê, mas seu futuro depende de muitos outros fatores, em particular do quanto o adulto busca se comunicar, estabelecer uma conexão profunda com a criança, por meio do toque, do olhar e das palavras, faladas ou cantadas. Abraços e carícias são tão importantes quanto ler para uma criança; cultivar a tradição oral e dar atenção aos balbucios esforçados de um bebê.

Dinheiro está muito mais avante na lista de prioridades. Afeto vem muito antes!




Regina Wielenska

É psicoterapeuta na abordagem analítico-comportamental na cidade de São Paulo. Graduada em Psicologia pela PUC-SP em 1981, é Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela IP-USP. Atua como terapeuta e supervisora clínica, é também professora-convidada em cursos de Especialização e Aprimoramento. Publicou dezenas de artigos científicos, e de divulgação científica, além de ser coautora de livros infanto-juvenis.



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