DESTAQUES

Alzheimer: diagnóstico precoce ajuda no tratamento

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Elisandra Vilella G. Sé

Dia 21 de setembro é o Dia Mundial de Alzheimer, que tem o objetivo de alertar sobre a importância do diagnóstico precoce dessa doença, que não tem cura, e é o tipo mais comum de demência.

No entanto, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais eficaz torna-se o tratamento. Esse tratamento consiste em postergar o avanço da doença, já que é uma doença neuropsiquiátrica degenerativa e progressiva.

Primeiro sintoma

São as falhas de memória recente que prejudicam de forma significativa a vida do indivíduo.

O que a família deve fazer?

Ao perceber as mudanças no comportamento, atitudes e desempenho de memória do familiar, ela deve levá-lo ao médico (pode ser: neurologista, clínico geral, geriatra ou psiquiatra) e providenciar uma avaliação neuropsicológica e neurológica detalhada. Geralmente, as famílias levam primeiro no geriatra ou neurologista, pois ainda há uma resistência em consultar um psiquiatra. O importante é que seja um médico de referência na área, que trabalhe com demência e com a doença de Alzheimer.

Sintomas

Nessa doença se manifesta um comprometimento das funções cognitivas: memória, linguagem, atenção, percepção, orientação espaço-temporal, praxia (coordenação motora) e funções executivas, que envolvem o comprometimento cerebral, provocando atrofia progressiva no cérebro; inicialmente, nas regiões internas do lobo temporal com impacto na funcionalidade (afazeres do dia a dia) e na vida social.

Os sintomas cognitivos iniciam lentamente e aumentam com o passar do tempo. Muitos sintomas não ocorrem no início, mas surgem ao longo da evolução da doença.

De acordo com pesquisas científicas, atualmente 36 milhões de pessoas no mundo têm demência e a estimativa é que esse número atinja 115 milhões em 2050.

Demência

A demência é definida como uma síndrome clínica caracterizada pela deterioração progressiva de múltiplos domínios da cognição, capaz de comprometer a autonomia do indivíduo. Representa causa importante de incapacidade, institucionalização e redução de sobrevida na população, em especial a população idosa. Não que as doenças crônico-degenerativas sejam manifestação do envelhecimento, mas porque esse grupo etário apresenta maior vulnerabilidade para desenvolver determinadas doenças e em especial a de Alzheimer.

Estudos no Brasil

Estudos epidemiológicos brasileiros (2008), estimam que 60% dos idosos brasileiros são acometidos por algum tido de demência. Isso corresponde a 1.332.034 pessoas. Dessas 799. 220 pessoas são diagnosticadas com a provável doença de Alzheimer.

A prevalência de demência aumenta muito com a idade, dobrando a cada cinco anos, variando de 1,5%, entre 60 e 64 anos, a quase 40% nos nonagenários. A prevalência global dessa patologia é estimada em 3,9% nos sujeitos com idade igual ou superior a 60 anos, com uma variação importante entre os continentes, de 1,6% na África a 6,4% na América do Norte.

Na América Latina, a taxa de prevalência é de 7,1% e, no Brasil, varia entre de 6,0% a 7,1%. A incidência mundial anual é estimada em 7,5 casos a cada 1000 habitantes idosos (idade ≥ 60anos).

A demência tem grande impacto na vida social e na dimensão emocional das famílias e de seus cuidadores. A falta de compreensão e conscientização sobre a doença resulta em recursos insuficientes para lidar da melhor forma possível com ela.

Uma pesquisa publicada na revista “The Lancet” (julho 2012) informa que a diferença entre a prevalência de demência em países menos desenvolvidos e países mais desenvolvidos talvez seja menor do que se pensava. 

O grupo de pesquisa 10/66, liderado pelo Professor Martin Prince do Institute of Psychiatry, King's College London, avaliou cerca de 15.000 pessoas com 65 anos ou mais em 11 países em desenvolvimento, incluindo Índia, China, Cuba e Peru. De acordo com o estudo, a prevalência de demência em áreas urbanas da América Latina é semelhante às taxas na Europa e Estados Unidos, mas é mais baixa na Índia e na China.

Esses dados sugerem que mesmo que não identificada como demência, a doença tem um impacto alto sobre a pessoa afetada e seus familiares. Estimativas acuradas sobre o verdadeiro número de pessoas  e cuidadores afetados é o primeiro e talvez o mais importante passo em direção ao desenvolvimento de sistemas de saúde e de cuidados sociais apropriados”, diz o professor Martin Prince.

Diante desse cenário, torna-se emergente um trabalho conjunto para despertar a conscientização sobre a demência e como ela afeta a vida das famílias.

No Brasil a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAZ ) está com uma ampla programação para o Dia Mundial de Alzheimer e traz o slogan “Alzheimer: Quanto antes souber, mais tempo você terá para lembrar”.

A Associação Brasileira de Alzheimer tem o desafio de alertar a sociedade sobre a atenção adequada aos primeiros sintomas da doença, dando importância para um diagnóstico precoce e bem feito e a busca de um tratamento eficaz.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



ENQUETE

Eleição presidencial no Brasil se transformou em plebiscito de Bolsonaro?





VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2018
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.