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Morro de ciúme do meu marido e não aceito suas amizades. O que faço?

Margareth dos Reis 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Linha que separa o ciúme normal do doentio é imprecisa

por Margareth dos Reis

"Inclusive, tenho muito ciúme de uma prima dele. Queria que ele ficasse só comigo."

Resposta: A primeira coisa a lhe dizer é que o ciúme faz parte da natureza humana, e que, em nível normal, sua manifestação pode ser considerada um sinal de cuidado e proteção à pessoa amada.

No entanto, a falta de controle dessa emoção, que é o que vem ocorrendo com você, pode ser devastadora para a vida a dois.

Ou seja, apesar da imprecisão da linha que divide o ciúme normal do patológico, pode-se dizer que o primeiro se manifesta em uma situação pontual e passageira, abalizada em acontecimentos reais, já o patológico (ou excessivo) se manifesta em sentimentos sucessivos, exagerados e equivocados de desconfiança.

Subjacente à manifestação deste último encontra-se o medo desproporcional (e infundado) de perder o objeto de amor para outra pessoa, o que pode virar uma obsessão a ponto de levar a pessoa ciumenta a agir no sentido de tentar garantir a qualquer custo a posse do seu objeto de amor.

Mas imagine em que ponto se pode chegar com esse intuito de querer aprisionar e controlar completamente a vida de outra pessoa?

Ao isolamento de ambos e consequente empobrecimento da relação, limitando a espontaneidade e a criatividade que tanto estimulam positivamente o clima conjugal e a vida sexual do casal.

Por isso, que tal você procurar descobrir:

- De onde vem o seu ciúme, quais são as bases que sustentam esse sentimento na sua história de vida?

- Qual o tamanho do prejuízo atual na relação conjugal devido à sua crença supervalorizada de poder de controle sobre a liberdade do seu marido?

Sim, porque o ciúme excessivo, que visa conseguir a outra pessoa só para si, não tem nada a ver com amor (nem com prazer geral ou sexual, e/ou zelo pela relação a dois).

O amor é uma atividade demonstrada em atos de cuidado visando o bem-estar (e não a posse) do objeto amado.

Portanto, se não conseguir lidar com isso sozinha, não hesite em recorrer a ajuda de uma psicoterapia com o propósito de buscar o fortalecimento da sua capacidade de autogerenciamento emocional.

A história de vida individual, social, familiar e amorosa da pessoa que está ao seu lado não pode representar uma ameaça para a sua relação com ela. E isso é imprescindível para garantir a sanidade mental de ambos os lados e a qualidade de vida compartilhada.

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Margareth dos Reis

É Psicóloga Clínica, Terapeuta Sexual e de Casais no Instituto H.Ellis-SP; psicóloga no Ambulatório da Unidade de Medicina Sexual da Disciplina de Urologia da FMABC; Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; epecialista em Sexualidade pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana – SBRASH; autora do livro “Mulher: produto com data de validade” (ED. O Nome da Rosa) Mais informações: www.instituto-h-ellis.com.br



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