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Meu familiar ainda trabalha, mas está com Alzheimer. Como proceder?

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
No início da doença, o trabalho é um estímulo para manter uma vida ativa

por Elisandra Vilella G. Sé

Se uma pessoa idosa que ainda trabalha recebe o diagnóstico de Alzheimer ou de outro tipo de demência, isso torna-se complicado para ela e sua família, pois implica considerar uma série de questões no planejamento do futuro.

Familiares e amigos terão de ponderar sobre as mudanças que essa demência trará em longo prazo para essa pessoa que ainda trabalha, mas apresenta ainda certa preservação de sua capacidade funciona e laboral com prejuízos de memória, concentração e compreensão.

Principais dificuldades do portador de Alzheimer no trabalho:

- dificuldade em comunicar pensamentos e ideias;

- dificuldade em concentrar-se tanto tempo como anteriormente;

- esquecer-se de reuniões importantes ou compromissos;

- dificuldade em conseguir gerir várias tarefas ao mesmo tempo;

- ter problemas de estar em grupos maiores, preferindo, talvez, trabalhar sozinho;

- perder confiança na sua capacidade de trabalho;

- sentir-se inseguro ao tomar decisões importantes.

Portanto, colegas e a família devem ficar atentos a esses sinais que às vezes a pessoa pode estar apresentando há um tempo no trabalho e não percebeu.

Após o diagnóstico de demência de uma pessoa ainda ativa, o fundamental é ser realista e começar a planejar o controle precoce de algumas situações.

Além da família e amigos de confiança, deve incluir apoio de um médico de família, apoio jurídico e de sindicatos. Esses apoios irão fornecer um maior esclarecimento sobre como lidar com o avanço da doença em todos os seus meandros e ajudarão a proteger a integridade, a dignidade, a privacidade e a confidencialidade do empregado.

Caso a pessoa que recebeu esse diagnóstico decida manter a atividade de trabalho, estímulo muito importante para o paciente manter uma vida ativa; é importante seguir algumas recomendações.

Como lidar com a doença no ambiente de trabalho:

- Converse com o médico sobre como falar no trabalho a respeito do diagnóstico de demência;

- Torna-se fundamental falar com o chefe sobre o diagnóstico;

- Pense em quem necessita saber do diagnóstico. Ter uma ou duas pessoas de confiança como apoios-chave no local de trabalho pode ser uma ajuda;

- Procure aspectos que facilitem a realização do trabalho;

- Procure familiarizar-se com a legislação que possa dar apoio e proteção ao empregado;

- Conheça as condições de emprego como direitos a licenças por doença e invalidez;

- Continue a planejar o futuro, a pessoa não pode deixar de estar ativa: no estágio inicial da doença, ainda precisa de estímulo para continuar a planejar atividades, férias etc;

- Verifique como vai decidir sobre o momento que terá de deixar de trabalhar; por se tratar de uma doença progressiva, é importante fazer a gestão das mudanças que ocorrerão com a progressão dos sintomas.

Problemas no trabalho

Caso a pessoa apresente problemas no trabalho, esses podem ser decorrentes das alterações provocadas pela demência. Essas alterações não podem ser controladas, mas pode-se assumir o controle da forma de geri-las. Estratégias simples ou mudanças no ambiente poderão ajudar. Algumas pessoas renegociam inicialmente as horas de trabalho e funções, de forma a reduzir pressões.

Na opção de deixar de trabalhar, os familiares não podem tomar uma atitude impulsiva, é importante que a pessoa com demência saia aos poucos do trabalho, a não ser que seja um trabalho que ofereça riscos ao empregado.

Assim reitero:

- Certifique-se de que está plenamente consciente dos seus benefícios e direitos;

- Antes de decidir deixar de trabalhar procure uma assistente social, advogado, médico forense, procure saber dos direitos à licença de serviços, avaliações e atestados que necessitam;

- Demore o tempo que necessitar, discuta e tome uma decisão adequada. O que está em jogo é o tratamento e a qualidade de vida de uma pessoa com demência e sua família.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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