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O tipo ardiloso: resista se for capaz

Roberto Santos 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Ardilosos podem ter carreiras muito bem-sucedidas nas empresas ...

por Roberto A. Santos

"Sua missão, Jim, caso decida aceitá-la..." depois de ler essa frase, quase ouvimos a música de abertura de Missão Impossível - o famoso seriado dos anos 60 ou os longas-metragens com Tom Cruise de nossos dias. Nosso personagem deste artigo contrasta fortemente com o Cauteloso. Neste texto da série que trata dos onze descarriladores de carreira, vamos falar sobre o Ardiloso que causa arrepios aos prudentes e cuidadosos com sua ousadia.

O ardiloso não gosta de correr riscos, ele almeja a pole position das emoções fortes, seja nos esportes radicais ou numa apresentação que fará à diretoria sobre um novo sistema de orçamento para a empresa.

Se o Cauteloso coloca limites em todas as decisões para certificar-se de que nada sairá errado para chegar a um porto seguro, o ardiloso busca sempre os precipícios e as novas fronteiras, acreditando encontrar novos horizontes e descobertas pioneiras.

As empresas precisam de ambos - os bons cidadãos corporativos que vigiam o cumprimento das normas e procedimentos e aqueles que os desafiem, que provoquem, façam perguntas do tipo "e se..." que conduzem a progressos importantes.

Uma característica de nosso personagem é o charme e a inventividade, próprios dos ousados Jims, McGivers e 007s, que sempre conseguem atingir sua meta no último milésimo de segundo ou escapam da morte por uma fração de seu dedo mínimo. Seu impulso de testar os limites se faz acompanhar de uma arrogância carismática sonorizada por uma lábia irresistível. O ardiloso não se preocupa muito com as conseqüências de quebrar as regras, como se fossem apenas sugestões para ele.

A pessoa que tem essa característica em demasia, confia em seu arrojo, na coragem e tem certeza de que não será descoberto... e mesmo que seja, ainda será entendido e aceito. E é aí que a coisa pega no ambiente de trabalho. Dependendo dos limites que testa, ele ou ela poderá infringir mais regras do que gerar resultados e acaba lançando cheques sem fundos de credibilidade em sua carreira.

Se essa descrição o fizer lembrar de Maquiavel é compreensível. No entanto, o pobre Nicolau Maquiavel é um exemplo mal interpretado pela História. Ele acabou tendo seu nome transformado num adjetivo bastante pejorativo, pelo menos para suas vítimas, e associado, nos dicionários, com ardiloso, má fé e astúcia. Na realidade, ele apenas escreveu, em 1512, um resumo de seus conselhos a governantes que até hoje são reproduzidos, embora nem sempre com fidelidade a seus pensamentos originais. Um exemplo disto é a frase: "o fim justifica os meios" que embora não tenha sido de sua autoria acabou lhe conferindo a pecha negativa de tirano. O que ele escreveu é que "o fim determina os meios", tão lógico como se disséssemos hoje: "se eu preciso chegar à Europa rapidamente, é melhor ir de avião."

Nosso tipo ardiloso pode ser maquiavélico, sendo estratégico, astuto e criativo para conseguir alcançar metas típicas de Missão Impossível. Desde que estas sejam consoantes com o interesse da empresa onde atua e não contrariem frontalmente a legislação vigente, sua iniciativa deve ser louvada e recompensada. Então como consigo ficar apenas com os louros (ou aquela loura deslumbrante do 007) da vitória e não bater de frente, por causa de uma malograda manobra arriscada, com o muro do desemprego?

Que regras podem ser quebradas?

Infelizmente, não encontraremos nos manuais de procedimentos de nossas empresas, ou nos volumosos códigos do Direito, as leis e regras que estão lá grifadas para serem burladas. Mesmo assim, especialistas em direito e os ardilosos em geral sempre acabam encontrando uma brecha num contrato, uma vírgula numa lei onde avistam oportunidades de surpreender o negociador do outro lado da mesa. O problema é saber quais becos e sinais de pontuação são viáveis para se arriscar. A solução para a questão esbarra no caráter e dependerá dos limites de ética e integridade de cada um. Refletir sobre seus próprios valores e conhecer as regras jurídicas da Sociedade é um conselho que nosso personagem deveria ouvir de algum colega cauteloso.

Distanciar-se e ouvir-se

O carismático, espontâneo e aventureiro "Jim" não acredita que seus planos possam furar, que as pessoas envolvidas em sua estratégia não ajam conforme sua imaginação, e que os compromissos assumidos anteriormente não lhe serão cobrados. O filme que passa em sua mente ardilosa sempre tem um final feliz para todos, principalmente para o ator principal. Distanciar-se do "script" e colocar-se como audiência poderá ser saudável para que nosso artista faça a checagem final, antes de entrar em cena e aparecer para uma apresentação ao conservador Board da empresa vestido de Superman ou Homem Aranha para fazer valer seu ponto, qualquer que seja.

Ardilosos e ardilosas podem ter carreiras muito bem-sucedidas nas empresas por suas iniciativas corajosas que batem a concorrência, deixam os mais prudentes roxos de inveja. Porém, dentre os ensinamentos de Maquiavel, eles devem se lembrar que os "Homens ofendem por medo ou por ódio" e a qualquer momento algum deslize em seus ardis poderá ser fatal em sua carreira.




Roberto Santos

Profissional de Recursos Humanos, com mais de 40 anos de atuação no mercado, Roberto teve diversas posições como profissional e executivo de RH em multinacionais de grande porte. É sócio-diretor da Ateliê RH, consultoria com mais de 14 anos de atuação no mercado, e distribuidor Hogan no Brasil. Mais informações: www.atelie-rh.com.br



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