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Saiba quando a ansiedade se torna patológica

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Entenda o transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

por Joel Rennó Jr.

Hoje, falaremos um pouco mais sobre o TAG.

O TAG caracteriza-se por uma excessiva ansiedade e preocupação, na maior parte dos dias, por um período maior que seis meses. A preocupação é difícil de ser controlada.

Ansiedade, preocupação ou sintomas físicos causam estresse clínico significativo ou impedimento social e/ou ocupacional.

Sintomas da ansiedade

Mais do que três dos seguintes sintomas devem estar presentes como:

Inquietude

Fadiga fácil

Dificuldade de concentração

Irritabilidade

Tensão muscular

Distúrbios do sono

Pode haver tremores, abalos e dores musculares, nervosismo ou irritabilidade, associados à tensão muscular. Muitos indivíduos com Transtorno de Ansiedade Generalizada também experimentam sintomas somáticos (por ex., mãos frias e pegajosas; boca seca; sudorese; náusea e diarreia; frequência urinária; dificuldade para engolir ou "nó na garganta") e uma resposta de sobressalto exagerada.

Tais sintomas não podem ser decorrentes de doença clínica ou medicamentos ou mesmo drogas.

A comorbidade (associação com outros transtornos mentais) ocorre entre 80-90% dos pacientes. Outros transtornos de ansiedade podem ocorrer entre 50%-60% dos pacientes. Depressão maior em mais de 60% dos pacientes, piorando o prognóstico.

Características e transtornos associados

O Transtorno de Ansiedade Generalizada co-ocorre com muita frequência com Transtornos do Humor (por ex., Transtorno Depressivo Maior ou Transtorno Distímico), com outros Transtornos de Ansiedade (por ex., Transtorno de Pânico, Fobia Social, Fobia Específica) e com Transtornos Relacionados a Substâncias (por ex., Dependência ou Abuso de Álcool ou de Sedativos, Hipnóticos ou Ansiolíticos). Outras condições associadas ao estresse (por ex., síndrome do cólon irritável, cefaleias) frequentemente acompanham o Transtorno de Ansiedade Generalizada.

Características específicas à cultura, à idade e ao gênero

Existe uma considerável variação cultural na expressão da ansiedade (por ex., em algumas culturas, a ansiedade é expressada, predominantemente, por sintomas somáticos, em outras, por sintomas cognitivos). É importante considerar o contexto cultural ao determinar se as preocupações com determinadas situações são excessivas.

TAG em crianças e adolescentes

Em crianças e adolescentes com Transtorno de Ansiedade Generalizada, a ansiedade e preocupação frequentemente envolvem a qualidade de seu desempenho na escola ou em eventos esportivos, mesmo quando seu desempenho não está sendo avaliado por outros. Pode haver preocupação excessiva com a pontualidade. Elas também podem preocupar-se com eventos catastróficos tais como terremotos ou guerra nuclear. As crianças com o transtorno podem ser excessivamente conformistas, perfeccionistas e inseguras, apresentando uma tendência a refazer tarefas em razão de excessiva insatisfação com um desempenho menos que perfeito. Elas demonstram excessivo zelo na busca de aprovação e exigem constantes garantias sobre seu desempenho e outras preocupações.

Prevalência

Cerca de 2/3 dos indivíduos acometidos são mulheres. Alguns trabalhos demonstram uma prevalência de 5% de indivíduos acometidos pelo TAG ao longo da vida. A proporção de mulheres acometidas, ao longo de toda a vida, gira em torno de 10%.

Curso

Muitos indivíduos com Transtorno de Ansiedade Generalizada afirmam que sentiram ansiedade e nervosismo durante toda a vida. Embora mais de metade daqueles que se apresentam para tratamento relatem um início na infância ou adolescência, o início após os 20 anos também ocorre. O curso é crônico mas oscilante, e frequentemente piora durante períodos de estresse.

Diferenças no Transtorno de Ansiedade Generalizada feminino:

Os fatores genéticos são particularmente importantes no sexo feminino.

Distimia (subtipo de depressão leve e crônica) também é mais comum.

O tratamento envolve ênfase em psicoterapia cognitiva e comportamental, medicamentos antidepressivos, exercícios físicos, mudanças de certos hábitos (tabagismo, álcool, dieta), manejo da insônia, manejo racional das preocupações (tempo gasto para manejar ou organizar as preocupações). Técnicas de meditação e relaxamento também são coadjuvantes.




Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br



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