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Existe relação entre climatério, uso de antidepressivos e déficit de memória?

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Joel Rennó Jr.

"Tenho 52 anos e estou na fase do climatério, minhas taxas de estrógeno estão normais. Não tenho problemas de saúde, mas faço uso de antidepressivos. Estou fazendo um curso de pós-graduação e tenho sentido muitas dificuldades em armazenar dados. Minha memória está muito lenta. O que fazer para melhorar?"

Resposta: Provavelmente você está na perimenopausa (período ao redor da menopausa, que se inicia cerca de 5 anos antes e se extende até um ano após o início da menopausa).

A perimenopausa é caracterizada por oscilações dos níveis hormonais, sintomas físicos (fogachos, suores noturnos, dores articulares/musculares) e sintomas psíquicos (depressão, irritabilidade, ansiedade, insônia). Muitas mulheres também se queixam de prejuízos de memória de curto prazo, para fixar eventos recentes. Muitas vezes a própria depressão e/ou ansiedade podem prejudicar a memória recente.

Há estudos que comprovam que há um risco maior de depressão, cerca de duas vezes, nas mulheres que entram na perimenopausa quando comparadas àquelas que ainda não entraram na perimenopausa, independente de terem antecedentes pessoais da doença.

A avaliação neuropsiquiátrica com profissional especializado é fundamental. Há diferentes tipos de depressão com níveis de gravidade distintos. O uso de antidepressivos pode ser necessário nos casos moderados/graves. A Terapia Hormonal (TH), nos casos indicados e bem avaliados pelo ginecologista, pode ajudar na melhora dos sintomas depressivos. A psicoterapia comportamental e cognitiva, modificando padrões de funcionamento, comportamento e pensamentos também costuma oferecer bons resultados.

Nunca é demais dizer que atividades de lazer, exercícios físicos, acupuntura, yoga e meditação podem ser bons instrumentos coadjuvantes aos tratamentos medicamentosos. Porém, repito, o acompanhamento médico é a primeira e mais importante etapa.

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento.




Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br



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