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Não aguento mais a insegurança sufocante do meu namorado. O que faço?

Anette Lewin 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Oferecer livros de autoajuda é sugerir que o outro mude

por Anette Lewin

"Tenho um namorado e nós brigamos muito. Ele é uma pessoa muito insegura, ciumenta e desconfiada. Assim, todos os conflitos, para ele, devem ser resolvidos por meio de longas conversas, discussões, etc. Eu também não tenho muito espaço para ser eu mesma. Ele nunca deixa que eu me resolva sozinha ou que tenha uma intimidade familiar. Mesmo que eu argumente que não é nada com a gente, ele quer saber de qualquer jeito do que se trata o assunto. Não aguento mais promessas de mudança, palavras bonitas e livros de "como mudar um relacionamento". Mas mesmo que tudo isso seja ruim, ele tem muitas características boas e acredito que se ele conseguisse ter mais fé e segurança em si mesmo, poderíamos ser muito felizes! As características boas dele me completam, mas são acobertadas por essa situação sufocante. Estamos juntos há um ano e meio e estamos os dois em terapia, não só por isso, tem outras questões pessoais também. Penso seriamente em terminar, pois estou muito desgastada. É uma decisão muito precipitada? Há chance de salvar a relação?"

Resposta: Normalmente são as mulheres que querem discutir a relação. No seu caso a situação se inverte, mas o conflito gerado é igual.

Vamos parar para pensar... Será que quando uma pessoa, homem ou mulher, quer discutir a relação, está procurando realmente chegar a conclusões através de argumentos? Ou discutir a relação é apenas um pretexto para conseguir a atenção e o afeto dos quais a pessoa se sente carente? Em geral, pessoas que se sentem amadas, que se abraçam, que se respeitam, por mais que discordem em ideias ou pontos de vista não discutem a relação. Discutem pequenos conflitos, mas apostam na relação apesar das divergências.

Se seu namorado é ou está inseguro, antes de mais nada tente entender qual o seu papel nessa insegurança.Tente traduzir o que ele realmente quer dizer quando insiste em discutir a relação. Afinal, vivemos numa sociedade em que pedir uma explicação é muito mais fácil do que pedir afeto.

Pelo que você escreve, conquistar sua liberdade pessoal tornou-se um desafio muito maior do que alimentar seu relacionamento. Assim, se esse vinculo está morrendo, parece que morre de fome afetiva, e não em função de divergência de ideias. Você até que está tentando salvar seu relacionamento: faz terapia, tenta entender a dinâmica da relação através de questionamentos pela internet. Mas pode ser que falte o essencial: o verdadeiro interesse pela pessoa do seu namorado.Talvez porque você não tenha ainda esgotado o que quer fazer sozinha, talvez porque prefira sua familia original a ele. Enfim, é importante que você entenda o que está deixando de investir na relação para que ela murche e assim resolver se você realmente quer ou tem condições de deixar suas metas pessoais de lado para focar nas metas em comum. Isso é o mais sensato a fazer nessa situação.

Existe tambem a possibilidade de você concluir, como já sinalizou, que quem não está pronto para assumir um relacionamento é ele. Mas nesse caso, sua possibilidade de ação se reduz bastante. Você pode tentar modificar seus próprios comportamentos, mas não conseguirá mudar os do outro se ele não quiser. E quem realmente quer mudar esforça-se para entender a necessidade do outro. Oferecer livros de autoajuda é sugerir que o outro mude. Você já percebeu isso e se irritou, não foi?

Então pergunte a si mesma: você quer realmente namorar? Quer namorar essa pessoa? Está disposta a tentar oferecer a seu namorado a atenção de que ele precisa para se sentir mais seguro? Quer namorar neste momento da sua vida? Entende as concessões que precisam ser feitas numa relação a dois?

Se as respostas a essas perguntas forem, na maioria, positivas, lute pela relação não esquecendo de se esforçar para entender e suprir, alem de suas próprias necessidades, as necessidades afetivas de seu namorado; por mais infantis ou neuróticas que elas possam parecer.

Se, porém, vários "nãos" apareceram como resposta às perguntas feitas, talvez valha a pena você levar em conta o desgaste que essa relação provoca, investir em você mesma nesse momento e deixar o namoro para mais tarde. Com essa ou com outra pessoa.

Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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