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No horizonte: o que seria o suficiente para mim?

Dulce Magalhães 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Ter clareza do que queremos é metade do caminho

por Dulce Magalhães

- Para que serve perseguir o horizonte? - pergunta o homem ao filósofo

- Toda vez que caminho o horizonte se afasta. É Inalcançável.

- Serve exatamente para isso – responde o filósofo – para caminhar.

Qualquer momento é sempre bom para estabelecermos novas metas e propósitos e nos deixarmos guiar pelas oportunidades que vislumbramos no horizonte à nossa frente.

É fato que não alcançaremos todos os propósitos, porém, assim como esse horizonte que se desloca infinitamente à frente, cada objetivo estabelecido nos impulsiona a caminhar.

Quando estabelecemos o propósito de melhorar nossa alimentação, por exemplo, talvez não sejamos capazes de eliminar todos os alimentos desnecessários. Ainda saborearemos uma bela porção de batatas fritas ou uma fatia grande de torta açucarada. Contudo, é provável que acrescentemos mais verduras, legumes e frutas em nossa alimentação, que troquemos o refrigerante por sucos naturais com mais frequência e que fiquemos de olho para evitar alimentos gordurosos. Isso já fará uma enorme diferença ao longo do tempo. E assim é com tudo na vida. Mesmo que nosso propósito não seja plenamente atingido, quando nos propomos algo, uma parte disso, mesmo que pequena, passa a fazer parte de nosso cotidiano. Ganhamos hábitos, ampliamos saberes, mudamos comportamentos e de grão em grão vamos transformando o cenário do deserto consciencial e ganhando novas formas mais adequadas de levar a vida.

Cuide de ter horizontes à sua frente, isso é o que o fará caminhar. Metas precisam ser suficientemente plausíveis para nos inspirar a buscá-las, mas desafiadoras para que possamos avançar, sair da posição em que nos encontramos, mudar. Nenhum objetivo motivador tem como meta a manutenção, seja lá do que for. Se estamos felizes, queremos ser ainda mais felizes. Se estamos saudáveis almejamos melhorar nossa condição geral. Enfim, mesmo naquilo que está em ordem, há um impulso interno em evoluir, estar ainda melhor. Esse é um dom. É da natureza do homem o desejo de aperfeiçoamento. Por causa disso construímos civilizações.

Contudo, é também pela dificuldade de nos mantermos rumo ao melhor que nos perdemos nos desvios da estrada tortuosa da vida. Criamos civilizações e habitamos o mundo com a barbárie. É tempo de superar nossas fragilidades, de olharmos de perto nossas dificuldades para superá-las. É preciso ter olhos voltados para o horizonte e seguir caminhando de forma a avançar. Já sabemos que não daremos conta de colocar em ordem todos os processos da vida, até porque a própria vida apresenta-se muito caótica por vezes. Entretanto, se formos alinhando as coisas mais essenciais, todas as demais caberão no molde de uma vida feliz. Lembrando que feliz não quer dizer perfeita. Aliás, é por sermos capazes de acolher e aceitar as imperfeições, que fazem parte de todas as tarefas, relações e processos, que encontramos a felicidade.

Ir à busca do horizonte também não é perfeito, mas seguir esse movimento de avançar continuamente é que nos dá a confiança interna necessária para viver os percalços e valorizar cada conquista. Tudo no mundo é movimento, até o planeta está se movendo ao redor do sol continuamente. Não há um destino determinado, mas a parada seria um desastre inimaginável. É assim também com nossas vidas, o movimento nos faz vibrar, aprender, errar, tentar, buscar, acertar, sonhar, desfrutar, frustrarr... Enfim, tudo ocorre a partir daquilo que fazemos mover. Nem sempre é como gostaríamos, mas tudo é como deve ser, com o movimento que precisamos para seguir evoluindo.

O que acaba fazendo toda a diferença é para que lado do horizonte olhamos, ou seja, o que almejamos, o que buscamos? Ter clareza do que queremos é metade do caminho para alcançar o objetivo. Mover-se é importante, mas mover-se com um propósito é essencial para que a vida se realize plenamente. Mas, não confunda movimento com ação. Movimento é perseguir o horizonte e ação é alcançar o horizonte possível, a meta do hoje, o propósito imediato na busca do longo prazo. É estudar cada dia para completar o ano. É construir a parede tijolo a tijolo. É realizar cada uma das etapas do plano. É fazer acontecer. Então, é aí que podemos mesmo celebrar, pois é do movimento orientado para a ação que alcançamos resultados além de qualquer horizonte.




Dulce Magalhães

Ph.D. em Filosofia com foco em Planejamento de Carreira pela Universidade Columbia (USA); Mestre em Comunicação Empresarial pela Universidade de Londres (Inglaterra); autora dos livros: O foco define a sorte; Manual da Disciplina para Indisciplinados; Superdicas para Administrar o Tempo e Aproveitar Melhor a Vida. Especialização em Educação de Adultos pelas Universidades de Roma (Itália) e Oxford (Inglaterra).



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