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Liberar a consciência de si mesmo ajuda a elevar desempenho nas atividades

Renato Miranda 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Pode parecer paradoxal falar em perda da autoconsciência e ter controle absoluto da tarefa

por Renato Miranda

Depois de um breve estudo sobre as dimensões especiais do flow: fusão entre ação e atenção e perda da noção do tempo, descritos anteriormente (veja aqui), chegamos a terceira dimensão especial do fenômeno do flow-feeling: perda da autoconsciência.

Essas três dimensões são consideradas especiais basicamente porque identificam claramente quando a pessoa se encontra em estado de fluidez. Poder-se-ia dizer que são essas dimensões que simbolizam o flow-feeling.

Se na primeira dimensão (veja aqui) - fusão entre ação e atenção, a concentração intensa é marcante e na segunda dimensão - perda da noção do tempo, a transformação da percepção da passagem do tempo é a característica peculiar, na terceira dimensão - perda da autoconsciência, a motivação em realizar a tarefa sem preocupações com elogios e críticas é o que mais se destaca.

Nessa dimensão, a motivação é tão intensa que o esforço não é percebido como algo desgastante (mesmo o sendo!) e a avaliação externa (dos outros!) das ações realizadas simplesmente não ocupam espaço na consciência daquele que está em estado de fluidez. O que importa é a tarefa!

A perda da autoconsciência, portanto, está intimamente ligada às outras duas dimensões descritas anteriormente e é por isso que a atenção completa na tarefa é um dos fatores que identificam tal associação. Esse pensar é traduzido quando atletas, em estado de fluidez, afirmam: "Estava tão mergulhado na atividade que não pensava mais em nada!".

Pode parecer paradoxal falar em perda da autoconsciência e ter controle absoluto da tarefa, de tal modo que ação e atenção sejam únicas, como em uma fusão.

No entanto, a dita perda da autoconsciência é relativa ao que nos preocupa (percebemos!) como os outros nos avaliam ou como estamos nos mostrando e comportando perante as demais pessoas (no caso do esporte: m ídia, torcida, técnicos, colegas adversários, família e outros).

Por outro lado a consciência (controle!), daquilo que tem de ser feito para a realização da tarefa, é tão intensa que não há preocupações nem dúvidas sobre si mesmo e em consequência, sobre as possibilidades de êxito.

Posto de outra forma, não há consciência (pensamentos, preocupações!) com o ego (ou como nos percebemos em relação aos outros e projetamos avaliações externas de nós mesmos!).

Na realidade há uma despreocupação consigo mesmo (por exemplo, em relação aos elogios, críticas, expectativas, aparência física etc.). Ou ainda, uma despreocupação com o SER social. O que importa é a tarefa e, quando o atleta tem suas habilidades bem desenvolvidas (está em forma) ele não tem dúvidas sobre si mesmo, do que é capaz. Sua atenção está totalmente imersa na tarefa de tal forma que ele fica completamente envolvido em suas ações.

Enfim, o atleta tem certeza do que tem de ser feito e tem feedback imediato de suas ações. Portanto, ele se sente "mergulhado" (imerso!) na tarefa, em destaque: treinamentos e competições.

Liberar a consciência de si mesmo (ego!) e se envolver completamente na atividade, permite saber o que fazer a cada instante, identificar sutilezas relevantes da ação e perceber a atividade como algo pouco exigente em termos de esforço, embora a mesma seja desgastante. Consequência: concentração intensa e motivação!

Pessoas que lerem este texto, atletas ou não, certamente identificarão alguma passagem em suas vidas que, diante uma tarefa, com suas habilidades desenvolvidas e coerentes com as exigências daquele momento, certamente se lembrarão que naquele instante nada mais importava a não ser finalizar a atividade e ademais obtiveram um resultado exitoso.

Perder a consciência de si mesmo, mesmo por um momento, é o que acontece com nossa mente ao fluir e nos liberta de nós mesmos. Liberdade, das preocupações, percepções das avaliações externas, comportamento social (modismos), expectativa demasiadas, tensões e outros tantos fatores que geram ansiedade, distração, medo e incapacidade.

Entregar-se ao desenvolvimento de habilidades gerais (físicas, técnicas e psicológicas), disponibilizar energia às atividades e desafios positivos pode ser uma rica experiência de transformação, desenvolvimento e liberdade!




Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).



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