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Posicionar-se com familiares é mostrar que existimos

Antonio Carlos Amador 01/01/2016 PSICOLOGIA
Situar-se em família é saber não levar tudo ao pé da letra

por Antônio Carlos Amador

Muitas vezes nós esperamos dos outros membros da família muito mais do que eles podem dar, em matéria de compreensão. Quando queremos que um familiar nos compreenda e isso não acontece, nos sentimos dolorosamente solitários.

Nossas expectativas são tão altas que não levamos em consideração que os outros membros da família, as pessoas que nos amam, são seres humanos e, portanto, também são tão frágeis quanto nós. Esquecemos que eles também podem precisar de nossa compreensão. Então precisamos olhar o outro lado.

Naqueles dias em que a saúde, a falta de tempo, os problemas no trabalho contribuem para a fadiga, tornando difícil compreender nossos familiares, talvez seja melhor explicar que estamos sem disponibilidade para ouvi-los, deixando aberta a possibilidade de fazê-lo depois. Agindo assim, estaremos sendo francos e sinceros e eles não esperarão de nós mais do que podemos dar, pois estaremos nos situando.

Situar-se na família é mostrar que existimos, que temos nossos limites, mas é respeitar os outros. Aceitar que tudo está mudando em nossa vida constantemente e que as coisas mudam para os outros também. Pode ser que seja difícil para eles compreenderem isso, assim como pode ser difícil para nós compreendermos suas reações. Será preciso buscar o diálogo para estabelecer um novo equilíbrio.

O essencial talvez seja marcarmos bem os limites, respeitando ao mesmo tempo os limites dos outros. Encontrar espaços de liberdade, lugares onde possamos existir para nós próprios, onde os outros não possam entrar sem permissão. São coisas muito simples, às vezes difíceis de se perceber.

Situar-se no seio da família é também saber não levar tudo ao pé da letra, mesmo quando os outros reagem com brutalidade, nos desvalorizando. É preciso não levar isso a ferro e fogo, não nos fecharmos. Tudo isso pode parecer insignificante, mas ajudará para que também nos afirmemos fora de casa.

Existir em família não significa submissão, mas mostrar nossa existência, mesmo quando temos vontade de nos revoltar, chutar o balde, acabar com tudo. Nesses casos devemos nos afirmar de forma positiva, pois a revolta negativa confunde e lança a culpa sobre os outros, que também reagirão de modo negativo. Reagir defensivamente significa mais uma falta de atenção do que a busca de alguém que quer se fazer entender. Uma atitude agressiva rompe o diálogo e aumenta a distância.

Os conflitos devem existir, pois são necessários para o crescimento. Seria absurdo pensar o contrário, pois o problema não está na oposição dos contrários, mas no fato de não podermos nos expressar. É normal não estarmos de acordo com tudo, é necessário nos sentirmos livres para nos comunicarmos.

 

 

 




Antonio Carlos Amador

É psicólogo e psicoterapeuta de adolescentes e adultos. Professor no Departamento de Psicologia do Desenvolvimento da PUC-SP desde 1974, onde ministra disciplinas relacionadas ao desenvolvimento de adolescentes, ao desenvolvimento interpessoal, à psicologia comunitária e da saúde. Atua em consultório particular como psicoterapeuta e hipnoterapeuta, atendendo a adolescentes e adultos.



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