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Medo de declarar seu amor? Saiba o que fazer

Roberto Shinyashiki 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Roberto Shinyashiki


Acredite em você...

Acredite no que está fazendo...

Quantas vezes a gente vê uma oportunidade de vida bem à nossa frente e sofre por medo de se arriscar e não dar certo?

Medo de falar e não ser compreendido.

Medo de pedir e não ser atendido.

Medo de declarar nosso amor a alguém e nos decepcionar.

Medo de nos machucar ao confiar no outro.

Medo de não alcançar o topo da empresa.

Medo de sentir dor.

O medo de levar um “não” da vida impede que muitas coisas boas nos aconteçam.

Em meu tempo de cursinho, fui apaixonado por uma moça, mas não tinha coragem de declarar meu amor. Procurei um grande amigo para contar meu dilema e ele me perguntou se eu sabia como terminara sua paixão por uma amiga que tínhamos em comum.

Lembrei-me então da história dele, que aconteceu no começo de nossa adolescência, no tempo em que participávamos de um movimento de jovens cristãos. Nessa turma, um dia apareceu uma moça muito bonita e fascinante. Imediatamente, dois rapazes se apaixonaram por ela, e um deles era esse meu amigo. Mas o outro foi mais atirado e logo começou a namorar a moça.

Certa noite, ao voltar para casa depois de sair com a namorada, ele sentiu uma forte dor de cabeça e em seguida desmaiou. Levado ao hospital, os médicos descobriram que estava com um tumor maligno no cérebro e só lhe restavam alguns meses de vida.

A situação ficou angustiante, pois sua morte poderia ocorrer a qualquer momento. Os meses, porém, foram passando e apesar da agonia o rapaz continuava vivo. Alguns anos depois, o sofrimento de todos se intensificara. Eu acabei me afastando desse grupo e não acompanhei o desfecho da história.

No dia em que contei meu dilema a esse amigo, ele me confidenciou que, durante três anos, ficara esperando a morte do outro rapaz que namorava a garota pela qual fora apaixonado:

–  Continuei apaixonado por ela por quase três anos, mas não tinha coragem de me declarar. Ficava entre o medo da rejeição e a culpa por paquerar a namorada de um amigo à beira da morte. Centenas de vezes eu me aproximei dela para falar do meu amor, mas no último momento mudava de assunto – até que resolvi acabar com meu sofrimento.

Certo dia, em um daqueles bailes de garagem que nossa turma fazia, decidi tirá-la para dançar, mas antes amassei uma folha de papel e prometi a mim mesmo que, quando pegasse a mão dela, no momento em que o papel caísse, eu diria que a amava. E foi o que fiz. Ficou no ar um certo constrangimento e saímos para conversar. Falei dos meus sentimentos, do desconforto que senti durante todos aqueles anos, da culpa que carregava por me declarar. Conversamos a noite toda e, quando o dia amanheceu, ela me disse que não se sentiria bem deixando o namorado naquelas circunstâncias apesar de não amá-lo mais.

Meu amigo me contou ainda que a tristeza que sentiu naquele dia foi muito profunda, mas logo depois decidiu esquecê-la, e foi só após tomar essa decisão que abriu espaço em seu coração para namorar outra pessoa.

Então acrescentou:

–  Se falar dos seus sentimentos, ela poderá lhe dizer “sim” e você conseguirá o que tanto quer. Se ela disser “não”, você vai sofrer, mas não para sempre. Essa ferida vai cicatrizar e você poderá abrir seu coração para outra pessoa. Acho que amanhã, na hora do intervalo, quando tomar o primeiro gole de refrigerante, deve dizer a ela que a ama. Depois disso, vocês vão precisar conversar sobre o assunto e, assim, poderá saber o que ela sente.

Fiquei superempolgado com a idéia do meu amigo, mas devo confessar, arrependido, que fraquejei na hora de tomar o primeiro gole de refrigerante. Não tive coragem de abrir meu coração. Hoje, brinco dizendo que, desde aquele dia, parei de beber refrigerante. Até me preparei outras vezes para contar a ela sobre meu amor, mas na hora H o medo de sofrer falava mais alto.

O tempo passou e a vida me afastou da mulher dos meus sonhos, que nunca saiu de minha lembrança. Muitos anos depois, recebi uma carta dela contando que também era apaixonada por mim e nunca me esquecera. Revelou também que se casara e tinha dois filhos.

Fiquei pensando no que teria acontecido se eu me declarasse naquela época.

Senti uma pontada de arrependimento no coração por aquela e por todas as outras vezes em que tive medo de batalhar pelo amor que senti de verdade por alguém. Pensei que, se eu não tivesse medo de ir adiante, talvez evitasse algumas frustrações que tanto me fizeram sofrer.

Será que isso tem acontecido com você?

Estar apaixonado e não ter coragem de declarar seu amor por medo de ser rejeitado?

Esconder seu amor por ter vergonha de estar apaixonado?

Quem guarda uma paixão dentro de si não abre o coração para amar de verdade... Quantas vezes jogamos a felicidade fora por medo de ouvir um “não”?

Quantas vezes ficamos com alguém que não amamos simplesmente porque ser mais seguro não arriscar o novo?

Lembre-se: aconteça o que acontecer, persiga seu amor, vá atrás de sua vocação. Essa pode não ser a decisão mais cômoda, mas é a mais verdadeira. Pode ser mais trabalhoso, talvez lhe cause uma tremenda dor de cabeça que fará você sofrer, mas só assim estará vivendo plenamente tudo o que a vida tem a lhe oferecer.




Roberto Shinyashiki

É médico psiquiatra, com especialização em Administração de Empresas (MBA USP), é consultor organizacional, palestrante e autor de 12 títulos, entre eles o lançamento “Tudo ou Nada”, “Heróis de Verdade”, “Amar pode dar certo”, “O sucesso é ser feliz” e “A carícia essencial”. Mais informações: www.shinyashiki.com.br



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