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Como faço para ter voz ativa?

Eduardo Ferreira Santos 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Eduardo Ferreira Santos


"Bom saber que tem alguém que pode nos auxiliar à distância... Gostaria de saber como faço para ter voz ativa? Talvez algo tenha bloqueado isso na infância. Sou muito submissa e não consigo impor opiniões e nem sentimentos. Sei que há um bloqueio em mim e não sei como solucionar."

Resposta: Ter "voz ativa" significa, na verdade, possuir a capacidade de ASSERTIVIDADE, o que não é nada fácil para pessoas inseguras e medrosas.

Para mudar seu comportamento é preciso um cuidadoso treinamento comportamental.

Tentarei lhe explicar o que fazer de imediato:

Desde que você esteja bem motivada e pronta para começar a ser assertiva, você deve primeiramente assegurar-se de que compreende perfeitamente os princípios básicos da asserção. Em segundo lugar, você deve decidir se está pronta para começar a treinar o comportamento autoassertivo sozinha.

Geralmente as pessoas não assertivas são capazes de começar a asserção com êxito.

Para os indivíduos geralmente não assertivos, contudo, maior prudência é necessária; e recomendamos uma prática e um trabalho lento e cuidadoso com outra pessoa, de preferência um terapeuta treinado, como facilitador.

Quanto maior êxito você obtiver no início, maior a probabilidade de que esse êxito continue durante o treinamento.

Inicialmente, comece com pequenas asserções que tenham possibilidade de ser compensadoras, e então prossiga com algumas mais difíceis. Abaixo, para você ter uma ideia, um exemplo de uma asserção fácil e uma difícil.

Situação fácil:

Numa conversa com o parceiro sobre qual filme assistir, impor sua vontade sobre a dele, quando cada um tem uma preferência diferente.

Situação difícil:

Solicitar aumento ou promoção ao seu chefe no trabalho.

Você pode desejar explorar cada passo com um amigo ou facilitador treinado até que você seja capaz de controlar totalmente a maioria das situações. Você deve proceder com cuidado quando tomar sozinha a iniciativa de tentar uma asserção difícil sem preparação especial. E tome muito cuidado para não tentar uma asserção que possa lhe acarretar um fracasso total. Isso poderá inibir suas tentativas futuras.

Se você sofrer um revés, o que pode muito bem ocorrer, pare a fim de analisar cuidadosamente a situação e tornar a ganhar autoconfiança, obtendo ajuda de um facilitador, se necessário. Especialmente nos primeiros estágios da asserção, é comum cometer erros por não usar adequadamente a técnica. Qualquer desvio pode causar respostas negativas, particularmente se a outra pessoa, “o receptor”, tornar-se hostil e muito agressivo. Não deixe essa ocorrência desanimá-la. Considere novamente seu objetivo e lembre-se que, embora a asserção bem-sucedida exija treino, suas compensações são grandes.

Em quarto lugar, pondere seu relacionamento com as pessoas próximas de você. De modo típico, padrões de comportamento não assertivos têm sido exercidos por um indivíduo por um longo tempo. O indivíduo não assertivo terá estabelecido padrões de interação com aqueles que estão significativamente próximos a ele, como família, cônjuge, amigos. Uma mudança nessas relações já estabelecidas pode causar bastante transtorno aos outros envolvidos. De um modo geral, a sua mudança de comportamento lhe trará respostas também com maior assertividade e a fará ser "menos querida" pelos outros, pois quase todos nós queremos satisfazer nossos desejos exigindo que os outros se submetam a eles.

Portanto, comece por investigar o que a torna tão passiva e a bloqueia em seus relacionamentos.

Sugiro, antes de uma boa psicoterapia, procurar livros que contenham exercícios de assertividade.

É um caminho longo, mas lhe trará muitos benefícios no futuro.

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento. Dúvidas e perguntas sobre receitas e dosagens de medicamentos deverão ser feitas diretamente ao seu médico psiquiatra. Evite a automedicação.

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Eduardo Ferreira Santos

Psiquiatra e psicoterapeuta. Obteve Titulo de Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e o de Doutor em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina na USP. Escreveu os seguintes livros sobre relacionamento amoroso: Casamento missão (quase) impossível; Ciúme: O medo da perda; Ciúme: O lado amargo do amor Mais informações: www.ferreira-santos.med.br



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