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Por que os regimes de fome não fazem perder peso?

Jocelem Salgado 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Jocelem Salgado

Muita gente começa a se preocupar com o corpo com a proximidade do verão. Na última hora, se submetem a regimes de fome, tentando perder em algumas semanas os quilos de um ano inteiro. São práticas que não fazem bem nem para o corpo, nem para o espírito.

Como especialista em nutrição, quero alertar para os perigos dessas soluções que só trazem frustrações e perigos. Os regimes de fome e os regimes da moda não fazem perder peso. O que faz perder peso é uma reeducação alimentar apoiada por complementos alimentares devidamente pesquisados. As necessidades e as características de cada um precisam ser respeitadas. Do contrário, não haverá emagrecimento, só haverá frustração.

Não deveríamos deixar de cuidar desse corpo em nenhum momento do ano. E não apenas em nome das suas formas e do seu bronzeado, mas especialmente pela saúde que o corpo revela.

Anjos emagrecedores

Temos que fugir das dietas de última hora, que prometem tudo e não resolvem nada. Uma das formas de escapar dessa tirania é começar a cuidar de nós muito antes do verão, de preferência cuidar o ano inteiro.

Temos que fugir da tentação desses diabos que procuram nos enganar, vestidos de anjos emagrecedores. É muito provável que muitos de nós não cumprimos as promessas de reduzir as massas e as carnes gordas, de cortar os sorvetes, diminuir as garrafas de cerveja. Mas nem por isso vamos ter agora que pagar com um regime de crueldade, onde seremos tratados a folhas de alface e queijo branco desnatado, associados a comprimidos que nos tiram o apetite e nos deixam com os nervos à flor da pele.

Perigos

É preciso começar separando os objetivos e as condições. Tem um universo de pessoas que quer apenas perder uns quilos para entrar no mesmo biquini (ou no mesmo calção) que vestiu no ano passado. E tem outro universo de pessoas cujo sobrepeso ou obesidade não apenas incomoda na hora de vestir uma roupa, mas também, e sobretudo, já está trazendo ou pode trazer problemas de saúde.

O peso elevado aumenta a pressão arterial, mantém as gorduras do sangue aumentadas, eleva o risco do diabetes. Somados, esses fatores multiplicam o perigo das doenças cardiovasculares. Além de incomodar os movimentos, deixar os passos mais lentos e roubar muito da elegância que cada um de nós cultiva.

Obesidade

Diagnosticado o problema, a solução é enfrentá-lo. Se você se sente gordo, ou se classifica acima do peso, a primeira atitude é reconhecer o fato. A segunda é pensar na melhor solução para você. Há uma infinidade de receitas e dezenas de sites na internet tentando ensinar você a perder peso. A questão é que nenhum deles, ou a grande maioria deles, respeita as suas necessidades e dificuldades, nem considera os seus limites.

Há os grandes obesos, chamados impropriamente de obesos mórbidos, que necessitam de uma cirurgia ou de um artifício que reduza o tamanho do estômago, de forma que sua vontade de comer seja limitada pelo tamanho da cavidade desse estômago. Encheu esse espaço, passou a vontade.

Felizmente, a grande maioria dos que se debatem com o excesso de peso está abaixo dessa faixa, e necessita apenas reaprender a comer. Mas é justamente nessa faixa de pessoas, onde estão muitos dos nossos amigos e, muitas vezes, nós mesmos, que a propaganda enganosa mais atua.

Dietas da estação

À medida que vai chegando o verão, o número dessas poções mágicas vai aumentando. Há as dietas milagrosas, as dietas radicais, há aquelas que permitem tudo, as que proíbem tudo, aquelas que sobrevivem apenas aquele verão.

Essas são as chamadas dietas de estação, que aparecem num ano e desaparecem no outro. Eu e minha equipe acompanhamos os regimes que aparecem ou apareceram na mídia e constatamos que a sobrevida da maioria deles não passa de cinco anos. Chegam, anunciam seus milagres, arrebanham seguidores, depois desaparecem.

Nem de hoje que a Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, proibe a venda de dezenas de produtos que anunciam o milagre do emagrecimento. O fato é que medidas radicais para emagrecer rapidamente podem até levar a uma perda de peso nos primeiros dias, mas na maioria dos casos esse emagrecimento é temporário, pois foi resultado de uma alteração brusca na composição alimentar que causa perda de água do corpo e não gordura. Tão logo a alimentação normal seja retomada, esse líquido perdido retorna, trazendo o peso de volta.

Além disso, um dos grandes fracassos dessas dietas está na falta de saciedade e boa nutrição, o que faz com que as pessoas passem fome e saiam muitas vezes desses regimes extremamente debilitadas, anêmicas ou com outra doença provocada por deficiência nutricional. Outro problema, é que a grande maioria passa muito longe do tão importante processo de reeducação alimentar, que garantirá a manutenção futura do peso adequado.

É consenso entre os especialistas que uma dieta saudável que estimule a perda constante de peso deve prover todos os nutrientes de que o corpo necessita. A dieta deve basear-se em alimentos nutritivos, porém de baixas calorias, deve ter capacidade de proporcionar saciedade e deve estar aliada a um programa de reeducação alimentar.

Sou professora titular de nutrição na ESALQ-USP, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz, há mais de vinte anos eu e minha equipe dedicamos anos pesquisando uma fórmula que permitisse um emagrecimento saudável, sem agressão ao organismo e sem o sofrimento imposto pela maioria das dietas da moda.

Mudança de hábito

A primeira constatação foi que a perda de peso exigia uma mudança de hábito. Era preciso que o obeso compreendesse que sua participação nesse processo era fundamental. Ele precisava entender e aceitar que fazer exercícios era uma forma de ajudar a perder peso ao mesmo tempo que reduzia sua ansiedade e aumentava sua disposição para continuar com o programa proposto.

Mas era preciso também que sua alimentação fosse a mais equilibrada, de forma que se sentisse saciado e seu organismo alimentado, com a menor quantidade de calorias possível. Era preciso desenvolver um alimento que oferecesse todas essas coisas, e foi isso que fizemos.

Buscando uma fórmula

Depois de anos de pesquisa, reunimos num único complemento alimentar, cereais, leguminosas e oleaginosas como a aveia, a soja, germe de trigo, gergelim, castanha de caju. Todos são ricos em carboidratos complexos, fibras insolúveis e solúveis, proteínas, vitaminas, minerais, além de gorduras mono e poliinsaturadas.

Desde então, o alimento, inserido num plano alimentar de baixa caloria, tem ajudado milhares de pessoas a perderem peso com saúde, e o que é mais importante, conservar este peso para o resto da vida. Nossa proposta para a perda de peso não é uma fórmula mágica que vem embalada em kits emagrecedores.

O princípio do complemento alimentar elaborado é a reeducação alimentar, e esse é o programa que estamos desenvolvendo nos últimos quinze anos. Diante da nossa prática de laboratório, e do longo contato com as pessoas que querem emagrecer e que usaram esse complemento, nossa conclusão é a seguinte: a melhor forma para se perder peso não são regimes de fome e de sofrimento, mas a adoção de um programa de reeducação alimentar. Se possível, auxiliado por um suplemento alimentar que complemente os pratos do dia a dia.

Concluímos dizendo que o emagrecimento com bom senso, respeitando o ritmo corporal resulta em perda de gordura, com consequente redução da celulite, melhora dos contornos corporais e promoção da saúde. É importante emagrecer e principalmente manter o peso e isso somente se torna possível com exercícios físicos e com a reeducação alimentar, ou seja, se aprendermos o que, como e quanto comer.

 

 

 




Jocelem Salgado

Profa. Titular de Vida Saudável da ESALQ/USP/Campus Piracicaba. Autora dos livros: "Previna Doenças. Faça do Alimento o seu Medicamento" e "Pharmácia de Alimentos. Recomendações para Prevenir e Controlar Doenças", editora Madras



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