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Saiba se você tem a tendência de idealizar um par amoroso

Tatiana Ades 09/11/2016 COMPORTAMENTO
Saiba se você tem a tendência de idealizar um par amoroso
Fonte: imagem Pìxabay
Você está amando ou idealizando amores?

por Tatiana Ades

Estamos vivendo uma época de extrema carência afetiva.

Apesar de uma sociedade que se mostra tão sexualizada, podemos perceber em consultório, que o ser humano está cada vez mais sentindo-se sozinho e necessitado de outro alguém.

Uma questão me intriga bastante: a necessidade intrínseca de vivenciar um amor pode fazer com que alguém crie esse amor, fabrique-o em sua mente, acredite fielmente nele e alimente-se dele para poder sentir-se "par", e não "ímpar".

Essa construção inicia-se com a carência, segue para a busca por alguém e inicia-se com a construção de quem será esse "alguém", tornando a pessoa envolvida apenas em um objeto de compensação.

Claro, todo esse processo é inconsciente e apenas mostra o quanto estamos perdidos.

Características da criação de um amor:

- Se vincular a outro ser, sem peneirar quem é essa pessoa;

- Começar a idealizar a pessoa como sendo o grande amor de sua vida;

- Tentar a todo custo, manter esse amor duradouro (medo da perda, doar-se em excesso);

- Sensação de alívio e ao mesmo tempo desamparo;

- Depressão.

Não entrarei em detalhes sobre o processo neurótico que nos leva a criar um novo amor.

Mas acho importante que você fique atento a algumas questões importantes:

- Apesar de sua carência, você sabe quem busca?

- Você busca alguém para tapar seu buraco emocional ou simplesmente busca alguém?

- Quando encontra alguém que lhe dê atenção, logo se entrega, ignorando conhecer quem é de fato essa pessoa?

- Tem a tendência de idealizar a pessoa? Colocá-la como insubstituível?

- Medo da perda para não voltar a sentir-se sozinho de novo? Ou medo de perder a pessoa que gosta?

Pense em tudo isso. Você está amando ou construindo amores?




Tatiana Ades

É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.



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