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O que você vê como defeito pode ser o seu melhor

Redação Vya Estelar 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Acolha as suas diferenças

por Angelina Garcia

Não se lembrava de outra referência a si que não fosse “Eta, menina mole”. Era a mãe, sempre muito irritada com sua demora. “Anda, menina, escovar os dentes”, “anda, menina, trocar de roupa”, “ainda não terminou de comer?” Alice se atarantava, demorava mais, atrasava mais. Cresceu se culpando por comprometer o seu e o horário dos outros. É assim que a viam, é assim que se via.

Algumas questões advêm da maneira como tanto nós quanto os outros enxergamos nossas características. Uma entre elas se refere à expectativa do grupo familiar, primeiro contato constitutivo do sujeito. Esse grupo, assim como qualquer outro, está imerso e, portanto, afetado pelos valores socioculturais e ideológicos que o cercam.

Em uma sociedade que prima pela rapidez, alguém um pouco mais lento do que se espera da maioria não é visto com bons olhos. Desde sua casa, em vez de ser educado a lidar com o tempo de forma a tornar sua maneira de ser positiva, as críticas vêm no sentido de fazer com que se sinta mal. O que ele precisa aprender é acordar mais cedo, planejar-se melhor, dar prioridade a determinadas tarefas, não acumular afazeres e assim por diante. Da mesma forma, ele deve ser ensinado a perceber as vantagens em ser como é.

Quem realiza as atividades mais devagar, sem atropelos, pode atentar para detalhes importantes de um processo, os quais passariam despercebidos àqueles mais apressados. Isso é bom e precisa ser valorizado, para que o sujeito cresça satisfeito consigo e estimulado a desenvolver seus pontos positivos, ou transformar aqueles que ele perceba como empecilho ao seu crescimento. Comparando os resultados obtidos com suas atitudes e comportamentos, ele poderá ir avaliando o que necessita como mudança. Mas se lhe é dado retorno negativo, ou se lhe são cobradas, o tempo todo, formas de agir ignoradas por ele, as possibilidades em adquirir autonomia diminuem, no afã de responder ao que os outros esperam.

Qualquer singularidade deve ser respeitada. Quantas vezes nos sentimos incomodados pelo fato de um sujeito ser, por exemplo, metódico, ou um outro reservar grande espaço para a solidão, como se isso fosse defeito. E pior, o sujeito passa a acreditar que é mesmo um defeito, buscando, a todo custo, modificar-se. Claro que ele deve ser alertado quanto às perdas ocasionadas pelo exagero desse ou daquele tipo de conduta, mas, ao mesmo tempo, é necessário dar-lhe a chance de perceber que também há ganho quando sabemos usar aquilo que nos distingue. O metódico não pulará fases, fator significativo a qualquer empreendimento. O introvertido, por não se perder no burburinho externo, terá mais facilidade em se concentrar e desenvolver, no seu recolhimento, formas próprias e diferenciadas de olhar o mundo, o que pode resultar em importante contribuição aos demais.

Acolher diferenças, de fato, é dar oportunidade de manifestação às diversas maneiras como cada um se orienta na vida e não desorientá-lo, tentando fazer do sujeito o que ele não é.




Redação Vya Estelar



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