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De olho nas consequências

Regina Wielenska 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Faz parte da educação de crianças ajudá-las a pensar no agora e no depois

por Regina Wielenska

Você conhece os provérbios abaixo?

"Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
Quem planta ventos colhe tempestade.
De grão em grão a galinha enche o papo.
Aqui se faz, aqui se paga.
Devagar se vai longe".

São frases antigas, talvez desgastadas pelo uso, e estamos tão acostumados com elas que sequer notamos que, de um jeito ou outro, todas chamam nossa atenção para o valor da consequência produzida por comportamentos que emitimos ao longo do tempo. Por exemplo, ao falar da água mole em pedra dura, a cultura popular descreve que ações suaves, mas precisas e frequentes, conseguirão mudar algo que parece duro, difícil, pouco provável.

De grão em grão, de moeda em moeda que guardamos com disciplina, poderemos ao final do ano comprar algum objeto do desejo, quem sabe, um curso ou viagem. Quem planta ventos, causando frequentes transtornos no ambiente de trabalho, colhe tempestades, ou seja, acaba sendo demitido ou perde uma promoção. E por aí vai.

Muitas pessoas não atentam para as consequências de seu comportamento e, quando muito, são influenciadas pelos resultados imediatos, esquecendo-se do que pode resultar mais tarde, num intervalo de tempo maior. Uma conta boba: imagine que ao longo de um ano consumimos por dia apenas um cafezinho, ou uma pinga ou pão na chapa no bar ao lado da escola ou trabalho. Tirando férias, fins de semana e feriados, serão ao menos 230 idas ao bar, e se gastarmos quatro reais por vez, teremos dispendido mais de novecentos reais em um ano! Outro exemplo é o sexo sem proteção, que pode nos levar a uma gravidez indesejada ou a doenças sexualmente transmissíveis, como hepatite, HPV e HIV. No rala e rola do desejo sexual, pensamos apenas nas incontáveis delícias do encontro de dois corpos...

Faz parte da educação de crianças ajudá-las a pensar no agora e no depois, nos resultados de seu comportamento para si e para os outros. O adulto que joga lixo pela janela do carro não se importa em sujar o mundo onde vivemos, sequer raciocina que está a contribuir para o entupimento de bueiros, os quais, por sua vez, vão resultar em inundações devastadoras.

Muitas empresas (vejam o caso das Casas Bahia, Pão de Açúcar, Dudalina, Magazine Luiza e várias outras) começaram com a determinação de um só homem ou mulher precisando prover sustento para si ou para uma família. São histórias de trabalho de formiga, de pessoas perseverantes, que toleraram privações e trabalho duro, sem glamour e bem extenuante.

Típicos casos de devagar se vai longe. Dos ditados acima, o único que nem sempre se mostra verdadeiro é "Aqui se faz, aqui se paga", nem sempre há punição ou imposição de limites efetivos para comportamentos criminosos, eticamente duvidosos ou pouco civilizados. A impunidade estimula comportamentos corruptos e assim o Brasil e seus cidadãos honestos continuam a sofrer com a corrupção, violência, insensibilidade de certas pessoas em cargos públicos ou a eles ligados. Dinheiro e poder embriagam muitos, que flexibilizarão ao extremo as regras e os códigos sociais em benefício próprio.

Vivemos tempos difíceis, por vezes nos sentimos impotentes e frágeis. Não podemos perder as forças e, menos ainda, a esperança. Vamos fazer o certo, a despeito de quão difícil isto pareça. Afinal, quem espera sempre alcança (não fique parado, vá fazendo coisas bacanas e pró-sociais).




Regina Wielenska

É psicoterapeuta na abordagem analítico-comportamental na cidade de São Paulo. Graduada em Psicologia pela PUC-SP em 1981, é Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela IP-USP. Atua como terapeuta e supervisora clínica, é também professora-convidada em cursos de Especialização e Aprimoramento. Publicou dezenas de artigos científicos, e de divulgação científica, além de ser coautora de livros infanto-juvenis.



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