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Portador de Alzheimer pode gerir o seu dinheiro?

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Retirar o dinheiro do idoso requer certo cuidado

por Elisandra Vilella G. Sé

Esta semana daremos continuidade nas estratégias e medidas a serem utilizadas pelos cuidadores familiares para lidarem melhor com as dificuldades cognitivas apresentadas pelos pacientes com doença de Alzheimer - clique aqui e leia mais.

Essas estratégias implementadas pelos familiares possibilitam a autonomia do idoso, facilita o cuidado e ajuda no manejo dos sintomas e limitações da doença.

Numa fase inicial da doença a vida pode ser levada de forma normal, com necessidades apenas de adaptações para a dificuldade principalmente de memória. Isso significa que a pessoa com doença de Alzheimer pode ter uma vida independente nessa fase, desde que haja uma boa supervisão e o familiar seja bem informado sobre os processos e sintomas da doença.

Funções executivas

Juntamente com os problemas de memória podem ocorrer as dificuldades de “funções executivas”, que são funções cognitivas relacionadas à capacidade de planejamento, abstração, tais como tomar decisões, organização de objetos e pertences, administrar finanças, lidar com o dinheiro quando for comprar algo, planejar gastos, dirigir o veículo.

Quando essas capacidades estão prejudicadas e existe mais a perda de memória, isso causa um impacto no dia a dia do cuidador e consequentemente um desgaste por não saber lidar com essas questões. Mas o fato de haver comprometimento nessas áreas não significa necessariamente que o paciente perca sua independência, as alternativas e estratégias compensatórias e dicas para lidar com as dificuldades podem ser utilizadas pela família com supervisão.

Como lidar com o dinheiro

Com relação às finanças, o primeiro passo é verificar se de fato está havendo problemas em relação ao dinheiro, para isso é importante verificar se a pessoa está tendo dificuldade em ter noção dos preços das coisas, se é capaz de fazer estimativas sobre o valor de várias coisas que costuma comprar, se as contas estão sendo pagas de forma correta e dentro do prazo, se está administrando adequadamente o orçamento domiciliar, se mantém o mesmo padrão de sempre.

Caso esteja ocorrendo dificuldades em algumas dessas situações, será necessário tomar algumas iniciativas e medidas de segurança quanto ao controle das finanças. Nesses casos é preciso tomar cuidados com as falhas próprias da pessoa, como por exemplo esquecer de pagar uma conta ou comprar a mesma mercadoria numa mesma semana, ou comprar um determinado produto em excesso, como também torna-se necessário tomar medidas preventivas e cautelosas quanto ao abuso que existe com pessoas idosas em relação ao dinheiro.

Os passos essenciais que os cuidadores familiares devem seguir, inclui: no caso de perda de noção de preço, certificar que sempre haja um acompanhante ao realizar as compras, ou que sejam realizadas em locais confiáveis.

Caso haja atraso no pagamento de contas, colocar as contas em débito automático é um boa opção, fazer um calendário das contas e anotar em agendas também torna-se necessário. No dia do pagamento avisar a pessoa que ela mesmo a pague, uma vez que a manutenção de atividades auxilia na autonomia e na qualidade de vida da pessoa com a doença de Alzheimer e também como auxílio ao tratamento. Caso isso não seja possível o pagamento deve ser feito por outra pessoa.

Devem ser investigados se está ocorrendo gastos extras sem causa, se não está havendo empréstimos sem que outros membros da família saibam. Como a perda da memória é muito comum no paciente com doença de Alzheimer em fase leve, pode ocorrer de fazerem empréstimos e esquecer, causando o desequilíbrio das contas. Outras situações são os vendedores em domicílio que acabam por vender por várias vezes produtos variados várias para a pessoa.

Para o portador de Alzheimer em fase inicial e com consciência de sua condição clínica é muito difícil e muito impactante a retirada abrupta do controle das finanças. Uma estratégia é contornar as dificuldades com supervisão e co-gestão, transformando as contas em contas conjuntas que lhe permite o controle mais próximo da movimentação do dinheiro. Outra dica é assumir a responsabilidade pelos pagamentos maiores, deixando os pequenos gastos por conta da pessoa. Assim, o dinheiro é liberado em pequenas quantidades e não causa transtornos no controle dos gastos. Nos casos de resistência da pessoa idosa, e em casos em que a doença esteja mais avançada é necessério a tomada de atitudes legais, mas isso requer um planejamento criterioso por parte da família e do médico que realiza o seguimento clínico.

Nos próximos textos abordarei as dificuldades de dirigir e como tornar a casa mais segura prevenindo o ambiente externo e interno da residência do paciente com doença de Alzheimer.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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