Qual é a relação entre solidão e maturidade emocional?  

Solidão não é simplesmente estar só, é se sentir desconectado; entenda

Hoje eu quero falar sobre três palavras que parecem iguais… mas não são: solidão, solitude e isolamento social.

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A gente vive numa geração hiperconectada. Mil contatos, muitas mensagens, redes sociais ativas… e, ainda assim, uma sensação crescente de vazio. Para entender isso, precisamos olhar para como fomos estruturados emocionalmente.

Desde o nascimento, nós somos programados para buscar vínculos. O nosso sistema de apego, descrito por John Bowlby, é um sistema de sobrevivência. Precisamos de base segura. Precisamos saber que alguém está emocionalmente disponível para nós. Quando essa necessidade não é atendida de forma consistente, criamos modelos internos de relação. A Terapia do Esquema explica que esses modelos podem se tornar esquemas como abandono, privação emocional, rejeição dentre outros. São as nossas feridas emocionais. 

E é aqui que começa a diferença.

O que é solidão?

Solidão não é simplesmente estar só. Solidão é sentir-se desconectado. É quando o seu sistema de apego está ativado, procurando vínculo… e não encontra. Você pode estar casado, em família, cercado de pessoas, e ainda assim se sentir invisível. A solidão é subjetiva. Ela dói porque o cérebro interpreta ausência de conexão como ameaça.

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Já a solitude é outra experiência. Solitude é estar só… sem se sentir abandonado. Ela só é possível quando existe segurança interna. Quando você desenvolveu o que chamamos na neurociência de “Adulto Saudável”: a capacidade de se autorregular, de se acolher, de ficar na própria companhia sem desespero. Na solitude, o silêncio não é vazio, e sim, é integração.

E o isolamento social? O isolamento é comportamental. É o afastamento concreto das pessoas. Às vezes é circunstancial. Mas muitas vezes é uma defesa. Quando alguém aprendeu que proximidade gera dor, pode se afastar para não reativar feridas antigas. Parece independência… mas pode ser uma proteção emocional.

Percebe a diferença? 

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Solidão é sentir falta de vínculo. Solitude é ter segurança mesmo estando só. Isolamento é afastar-se, por escolha ou por defesa.

A maturidade emocional não é não precisar de ninguém. É poder precisar sem se desorganizar ou sem se desestabilizar. É poder estar só sem se sentir abandonado.

Talvez a pergunta mais importante hoje seja: Eu estou em solitude… ou estou me isolando para não sentir?

Refletir sobre isso pode mudar completamente a forma como você vive seus vínculos.

Psicóloga Clínica Cognitivo-Comportamental; Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde - UFP - Universidade Fernando Pessoa em Portugal. Defendeu a sua dissertação com excelência e nota máxima sobre: “A interferência das redes sociais nos relacionamentos”. Especialista em Psicologia da Saúde, Desenvolvimento e Hospitalização – UFRN; Especialista pela Faculdade de Medicina do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP – SP. Foi professora da Pós-graduação em Psicologia – Terapia Cognitivo-Comportamental (Unipê). Há 20 anos atendendo na clínica a adolescentes, adultos, casais e famílias. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mantém o Blog próprio desde 2008. Mais informações: www.karinasimoes.com.br. Atendimentos com consultas presenciais ou online