As redes sociais, principalmente o Instagram, e apps de relacionamentos, estão mudando a forma de paquerar, de buscar sexo e por que não pensar também em traição, mais precisamente em ‘microtraição’.
Por ser um ambiente seguro e ‘controlado’, as DMs do Instagram funcionam como uma ponte para uma transa ou para a construção de vínculos afetivos iniciais. De curtidas estratégicas, se migra para mensagens privadas. Isso pode redefinir o conceito de traição? Onde começa a infidelidade? Os pares deveriam fazer algum tipo de acordo?
Resposta: Essa é uma questão muito interessante, pois a tecnologia mudou profundamente a forma como as pessoas se aproximam, flertam e iniciam relacionamentos. Mas ela não mudou aquilo que realmente define uma traição: a quebra de um acordo de confiança. Sendo assim, as redes sociais e os aplicativos não criaram a infidelidade. O Instagram, os aplicativos de relacionamento e até outras redes sociais criaram uma espécie de “zona cinzenta” nas relações.
Microtraição aponta uma direção
Há comportamentos que, isoladamente, parecem inofensivos: uma curtida recorrente, um elogio, uma troca de mensagens privadas, mas que podem ganhar outro significado quando existe intenção de seduzir, expectativa de continuidade ou um envolvimento emocional crescente. É por isso que devemos ter certa cautela com o termo “microtraição”, termo este que pode ser visto mais como uma forma de descrever pequenos comportamentos que, isoladamente, podem não representar uma traição, mas que, somados, revelam uma direção. Muitas vezes, começa com pequenos investimentos afetivos em alguém de fora da relação. Não porque esses gestos sejam, por si só, uma traição, mas porque podem representar o início de um deslocamento da intimidade.
As DMs ((mensagens diretas) do Instagram exemplificam bem esse fenômeno. Elas oferecem privacidade, facilidade e uma sensação de controle. Em poucos dias, uma conversa casual pode evoluir para confidências, cumplicidade e flerte. O ambiente digital encurta caminhos que antes eram muito mais longos. Mas é importante lembrar que não existe um comportamento que seja universalmente considerado infidelidade. O que define esse limite são os acordos do casal.
Para algumas pessoas, trocar mensagens com alguém por quem existe interesse já representa uma quebra de confiança. Para outras, isso só acontece quando há um encontro presencial ou envolvimento sexual. Dito isso, talvez mais importante que definir “onde começa a traição”, seja definir “quais são os limites que cada casal reconhece como respeito à relação”. Casais costumam conversar sobre dinheiro, filhos e rotina, mas ainda conversam muito pouco sobre os limites da vida digital. Em suma, a fidelidade depende da forma como administramos nossa atenção, nosso desejo e nossa intimidade. E esses são aspectos que precisam ser negociados, com honestidade, antes que se transformem em motivo de sofrimento.
Atenção!
Esta resposta (texto) não substitui uma consulta ou acompanhamento de uma psicóloga e não se caracteriza como sendo um atendimento.
